Um fotógrafo às terças

Michael Ackerman. Fotógrafo americano, nascido em Tel Aviv, Israel, em 1967. Mudou-se com os pais para Nova Iorque em 1974. Abandona a universidade para se dedicar à fotografia. Desenvolve um estilo muito próprio.
Na semana passada, a leitora Catarina Correia fez um comentário pertinente relativamente à fotógrafa escolhida. Respondendo, escrevi a dado ponto (e fazendo um contraponto ao tipo de registo mais documental que então destaquei): “Eu diria que um artista utiliza (sempre) o mundo para falar de si.”
Michael Ackerman, numa entrevista, disse “(…) I think I only photograph people I recognize something of myself in. That might sound too abstract or even untrue but I didn’t know how else to say it.”. Estamos, afinal, a dizer a mesma coisa. Tem desenvolvido projectos em diversas geografias, mas a “geografia” que ele “cartografa” é o seu mundo interior.
A fotografia de Michael Ackerman deixa antever um carácter introspectivo, taciturno.
As suas entrevistas revelam isso mesmo. Pela sua linguagem verbal e não verbal. Pela parcimónia com que usa as palavras …
Questionado acerca das histórias por trás das suas fotografias: “I can’t really say what the stories I photograph are about or why the need to show pictures to people. I think some things don’t need explanation.”
Questionado acerca das suas fontes de inspiração: “The same as everyone else. Being alive and being aware of death.”
Questionado acerca do que diz a quem frequenta os seus workshops sobre o que é mais importante na fotografia: “To make mistakes.”
Michael Ackerman fotografa exclusivamente em analógico. Admite vir a experimentar o digital, mas define-se como sendo “muito lento” e não sabe se e quando tal virá a acontecer. Não dá particular importância ao equipamento fotográfico: utiliza máquinas “pequenas e simples”. O mesmo não se pode dizer do processo de revelação e impressão, no qual se aplica afincadamente e confessando sem problemas que, na maioria dos casos, não obtém os resultados pretendidos.
Na minha opinião, o seu trabalho é absolutamente extraordinário. Não é um homem de palavras. Nem tem que sê-lo, afinal, escolheu a fotografia como meio de expressão. Deixemos, então, as suas fotografias falarem por si.

Site: Michael Ackerman

Michael Ackerman, Interview 28-11-2013 by Clément Thierry, Fisheye (en)

End Time City – Michael Ackerman / PhotoBook Club Lisbon

Michael Ackerman – Fiction

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Todas as imagens de Michael Ackerman


Esta rubrica não é um guia dos notáveis da fotografia. Menos ainda, um espaço de “crítica” fotográfica (para a qual não estou qualificado nem tenho vocação). É um espaço que não aspira à neutralidade, reflectindo antes um gosto pessoal. Falarei dos fotógrafos cuja obra me toca, desafia e me faz reagir – não apenas visualmente, mas visceralmente. Precisamente por não ser um espaço de crítica, não haverá lugar para fotógrafos cujo trabalho não seja do meu agrado.

João Jarego


Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por data de publicação e nome de autor.

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