Jovens terminam narrativa fotográfica “Este Espaço Que Habito”

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Foram 10 dias em que a fotografia e a reflexão sobre o espaço envolvente preencheram o quotidiano dos jovens do Centro Educativo de Santo António no Porto. Com o projeto “Integrar pela Arte – Este Espaço Que Habito” o MEF desafiou os jovens a construírem a sua própria narrativa fotográfica, através do registo de imagens dos lugares escolhidos por cada um. Cada jovem reuniu um conjunto de 70 imagens, acompanhadas por um registo escrito daquilo que os levou àquela escolha e composição. O projeto culminará numa exposição aberta ao público, em data a anunciar.

De seguida, o MEF vai levar esta iniciativa ao Centro Educativo dos Olivais em Coimbra, ao Centro Educativo do Mondego, na Guarda, ao Centro Educativo Padre António Oliveira em Caxias e ao Centro Educativo Navarro de Paiva, em Lisboa. Acompanhem todos os pormenores na página de Facebook.

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Workshop de Cultura Vínica e Fotografia Documental, últimas vagas.

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Inscrições abertas para o Workshop de Cultura Vínica e Fotografia Documental que decorre a 12 e 13 de Setembro em ambiente de vindimas em plena aldeia da Quinta do Anjo, na zona de Palmela.  Mais informações…

O MEF sugere…

3 propostas fotográficas às quintas-feiras.

Finalizamos o mês de Julho, esta que é a 18ª e última proposta desta primeira série de 3 propostas fotográficas às quintas-feiras, tem como destino o fotógrafo espanhol José Manuel Navia,  a Bienal de Fotografia em Vila Franca de Xira e o livro História da Imagem Fotográfica em Portugal – 1839/1997, de António Sena.

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Para conhecer, sugerimos:

José Manuel Navia, fotógrafo que focaliza o seu trabalho numa fotografia mais pessoal e no campo do documentário. Nas suas imagens, capta as profundas raízes dos territórios ibéricos e dos povos que de uma forma ou outra estão ligados à sua cultura.

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Playa de Mira, Portugal, 1996 © NAVIA

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Para visitar, sugerimos:  

Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, surgida há 25 anos, em 1989, a Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, costuma acontecer no Celeiro Patriarcal, onde são apresentados os trabalhos dos premiados. No entanto a Bienal de Fotografia também ultrapassa os limites do celeiro e  do concelho, com exposições a acontecerem em diversos locais. A próxima edição da Bienal, a acontecer, será em 2016.

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Para ler, sugerimos:  

História da Imagem Fotográfica em Portugal – 1839/1997, de António Sena pela Porto Editora, edição de 1998 (esgotado). Excelente edição e uma obra de referência incontornável e singular para o conhecimento da história da Fotografia em Portugal.

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Movimento de Expressão Fotográfica, 30 de Julho de 2015.

Todas as sugestões da rubrica “O MEF sugere…” estão disponíveis, após a sua publicação, em: 3 propostas fotográficas às quintas-feiras, com acesso ao arquivo por data de publicação.

Um fotógrafo às terças

Mário Cruz é um jovem fotógrafo português. Nasceu em Lisboa em 1987. Filho de fotógrafo, recebeu a sua primeira máquina fotográfica aos 10 anos. Estudou fotografia no Cenjor. Mário Cruz é um grande fotógrafo português e um grande fotógrafo com menos de 30 anos (fez, este ano, parte da selecção promovida pela agência Magnum “30 Under 30”). Mas, acima de tudo, dispensa relativizações: é um imenso fotógrafo, independentemente da idade ou local onde nasceu.

Dele trago-vos hoje dois extraordinários trabalhos. Um sobre os que não são vistos (“Roof”), outro sobre os que não veem (“Recent Blindness”).

Olhemos para “Roof”. Teve início no começo de 2014 e tomou-lhe mais de um ano de trabalho. Retrata a vida dos que não “vivem”. Sobrevivem. “Roof” retrata a vida nas ilhas de degradação da grande Lisboa. A pobreza, a miséria paredes meias connosco. Tão perto e tão longe. Mário Cruz escolheu retratar esta realidade por ser incómoda e, como tal, escondida.

Mergulhar nesta realidade não foi simples. Exigiu paciência e perseverança. Caminhou pelas áreas “proibidas” da cintura de Lisboa, procurando sinais de presença humana. E, depois, o contacto com quem aí “habita”. Esse contacto implicou numerosas deambulações – frequentemente sem se fazer acompanhar da sua câmara – por essas zonas, de modo a estabelecer uma ligação com esse homens e mulheres e conseguir que, literal e metaforicamente, lhe abrissem as portas.

J. Gomes, aos 63 anos de idade, habita num quarto de um bairro votado ao abandono, usando uma escada feita à mão para entrar em sua “casa”. Vive da bondade de vizinhos que lhe vão oferendo conservas. Mário Cruz esperou, junto ao local onde ele vive, pelo Sr. Gomes – que estacionava carros num restaurante na vizinhança. Cinco dias de conversa, com rejeições pelo meio, e a confiança entre ambos acabaria por surgir. O acesso à “habitação” do Sr. Gomes foi outro desafio (que ele enfrenta diversas vezes ao dia, aos 63 anos). O acesso faz-se através de uma escada de 3 metros improvisada e periclitante que dá acesso a um cubículo em risco de colapso eminente. No meio de tudo isto, o que o Sr. Gomes diz é: “Não quero saber da lama ou da bicharada. Só não quero voltar a ter fome … aceito o meu destino se tiver que aqui ficar até ao fim dos meus dias”.

Outro homem, Pedro, vive numa fábrica abandonada onde vêm despejar lixo. Outros fazem uns “biscates” que lhes permitem sobreviver. Ou pedem. Ou ambas as coisas. Rebuscam restos de lixo. Recebem algum apoio de instituições de caridade ou contam com a bondade de vizinhos.

Mário Cruz reconhece: “O problema tem uma dimensão maior do que eu podia imaginar”. “Eles (os fotografados) dizem ‘As pessoas pensam que nos escondemos, ocupamos sítios que não nos pertencem, mas a única coisa que fazemos é sobreviver e sobrevivemos conseguindo um tecto’”.

“Recent Blindness”, retrata a vida no Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos. O centro está localizado em Lisboa, acolhe cidadãos dos CPLP, e tem por missão dota-los da autonomia indispensável a terem uma vida com a normalidade possível. Para tal, os utentes do centro permanecem aí por um período de, tipicamente 3 a 6 meses, no qual vivem em comunidade, realizando actividades (leitura, cozinha, caminhadas) e contando com apoio psicológico. A maioria dos pacientes perdeu a visão de forma gradua, mas também existem casos de cegueira como resultado de acidentes e erros médicos. A vida oculta de quem se prepara para prosseguir a sua vida após a disrupção da cegueira.

Mário Cruz retrata realidades inconvenientes. Mas ao fazê-lo, fá-lo com uma enorme humanidade, sensibilidade e empatia. De uma forma terna, “inclusiva”.

Esta rubrica será interrompida durante o mês de Agosto. Guardei para esta despedida – melhor, este “até breve” – um imenso fotógrafo português. A quem vai gozar de um merecido descanso, desejo que este seja retemperador. A todos, “veraneantes” ou não, espero reencontrar-vos a partir de setembro nestas declarações semanais de amor à fotografia.

Todas as imagens publicadas fazem parte das obras “Roof” e “Recent Blindness”.

Website: Mário Cruz

March 11, 2014. Carlos and Joao share a meal inside an abandoned house they found in an old village which is now their home. They have lived there for over 3 years now without any income or support from the State. Every year, in the summertime, they leave their home for 3 months to pick fruit during the harvest season. They never know if they'll have their belongings or even their house when they return.
March 11, 2014. Carlos and Joao share a meal inside an abandoned house they found in an old village which is now their home. They have lived there for over 3 years now without any income or support from the State. Every year, in the summertime, they leave their home for 3 months to pick fruit during the harvest season. They never know if they’ll have their belongings or even their house when they return.
July 24, 2014. Paulo lives in one of four houses that still stand in a abandoned village in Lisbon. His house started to collapse one year ago. The City Hall doesn't intervene because the land and the property belongs to a private company. "I was born in this house and it seems that I will die with it."
July 24, 2014. Paulo lives in one of four houses that still stand in a abandoned village in Lisbon. His house started to collapse one year ago. The City Hall doesn’t intervene because the land and the property belongs to a private company. “I was born in this house and it seems that I will die with it.”
July 13, 2014. Marco covers his room's window with a piece of cardboard in a closed down factory in Lisbon.
July 13, 2014. Marco covers his room’s window with a piece of cardboard in a closed down factory in Lisbon.
July 13, 2014. M. Costa lays down inside his room in a closed down factory.
July 13, 2014. M. Costa lays down inside his room in a closed down factory.
July 17, 2014. Julio inside his room at a closed down factory in Lisbon.
July 17, 2014. Julio inside his room at a closed down factory in Lisbon.
July 13, 2014. Vitor, 65, sleeps in his bed inside an abandoned factory. Vitor was invited to live there by the other residents of the factory when they saw him sleeping on the street. He was physically weak due to the lack of food for several days.
July 13, 2014. Vitor, 65, sleeps in his bed inside an abandoned factory. Vitor was invited to live there by the other residents of the factory when they saw him sleeping on the street. He was physically weak due to the lack of food for several days.
March 9, 2014. An abandoned village in Lisbon.
March 9, 2014. An abandoned village in Lisbon.
April 26, 2014. J.Gomes, 63, inside his room in an old abandoned villa owned by city hall of Lisbon. He has the arduous task of climbing three meters in a handmade ladder whenever he wants to enter his "home". The walls and ceilings don't hide the past nor the abandonment. J. counts on his neighboors to give him canned food and toiletries. "I do not mind the mud and vermin I just don't want to be hungry again...I accept my destiny if I have to stay here until my last days". He worked all his life in the construction business, today he lives in a building deconstructed by indifference.
April 26, 2014. J.Gomes, 63, inside his room in an old abandoned villa owned by city hall of Lisbon. He has the arduous task of climbing three meters in a handmade ladder whenever he wants to enter his “home”. The walls and ceilings don’t hide the past nor the abandonment. J. counts on his neighboors to give him canned food and toiletries. “I do not mind the mud and vermin I just don’t want to be hungry again…I accept my destiny if I have to stay here until my last days”.
He worked all his life in the construction business, today he lives in a building deconstructed by indifference.
A patient waits for dinner at Nossa Senhora dos Anjos Rehabilitation Center in Lisbon, Portugal, July 16, 2013.  The center promotes social integration to people with recent blindness and low vision. Located in Lisbon, Portugal, the center welcomes people from the Community of Portuguese Language Countries, and gives back the autonomy they need to live. The patients live together for 3 months and their days are fully scheduled with physical and recreational activities and psychological support to improve their social independence. They also re-learn basic skills like reading, walking, cooking and taking care of their own image. The majority of the patients are people who lost their sight gradually but there are also cases of medical errors and accidents that caused blindness. Many patients claim to have stopped wanting to live and ended up isolated from society until they reached the center.
A patient waits for dinner at Nossa Senhora dos Anjos Rehabilitation Center in Lisbon, Portugal, July 16, 2013.
The center promotes social integration to people with recent blindness and low vision. Located in Lisbon, Portugal, the center welcomes people from the Community of Portuguese Language Countries, and gives back the autonomy they need to live. The patients live together for 3 months and their days are fully scheduled with physical and recreational activities and psychological support to improve their social independence. They also re-learn basic skills like reading, walking, cooking and taking care of their own image. The majority of the patients are people who lost their sight gradually but there are also cases of medical errors and accidents that caused blindness. Many patients claim to have stopped wanting to live and ended up isolated from society until they reached the center.
A keyboard adapted for low vision/blind individuals is used during a IT class at Nossa Senhora dos Anjos Rehabilitation Center, in Lisbon, Portugal, July 23, 2013. The center promotes social integration to people with recent blindness and low vision. Located in Lisbon, Portugal, the center welcomes people from the Community of Portuguese Language Countries, and gives back the autonomy they need to live. The patients live together for 3 to 6 months and their days are fully scheduled with physical and recreational activities and psychological support to improve their social independence. They also re-learn basic skills like reading, walking, cooking and taking care of their own image. The majority of the patients are people who lost their sight gradually but there are also cases of medical errors and accidents that caused blindness. Many patients claim to have stopped wanting to live and ended up isolated from society until they reached the center.
A keyboard adapted for low vision/blind individuals is used during a IT class at Nossa Senhora dos Anjos Rehabilitation Center, in Lisbon, Portugal, July 23, 2013.
The center promotes social integration to people with recent blindness and low vision. Located in Lisbon, Portugal, the center welcomes people from the Community of Portuguese Language Countries, and gives back the autonomy they need to live. The patients live together for 3 to 6 months and their days are fully scheduled with physical and recreational activities and psychological support to improve their social independence. They also re-learn basic skills like reading, walking, cooking and taking care of their own image. The majority of the patients are people who lost their sight gradually but there are also cases of medical errors and accidents that caused blindness. Many patients claim to have stopped wanting to live and ended up isolated from society until they reached the center.
Patients enjoy the sun together before the start of their day at Nossa Senhora dos Anjos Rehabilitation Center in Lisbon, Portugal, July 23, 2013.  The center promotes social integration to people with recent blindness and low vision. Located in Lisbon, Portugal, the center welcomes people from the Community of Portuguese Language Countries, and gives back the autonomy they need to live. The patients live together for 3 to 6 months and their days are fully scheduled with physical and recreational activities and psychological support to improve their social independence. They also re-learn basic skills like reading, walking, cooking and taking care of their own image. The majority of the patients are people who lost their sight gradually but there are also cases of medical errors and accidents that caused blindness. Many patients claim to have stopped wanting to live and ended up isolated from society until they reached the center.
Patients enjoy the sun together before the start of their day at Nossa Senhora dos Anjos Rehabilitation Center in Lisbon, Portugal, July 23, 2013.
The center promotes social integration to people with recent blindness and low vision. Located in Lisbon, Portugal, the center welcomes people from the Community of Portuguese Language Countries, and gives back the autonomy they need to live. The patients live together for 3 to 6 months and their days are fully scheduled with physical and recreational activities and psychological support to improve their social independence. They also re-learn basic skills like reading, walking, cooking and taking care of their own image. The majority of the patients are people who lost their sight gradually but there are also cases of medical errors and accidents that caused blindness. Many patients claim to have stopped wanting to live and ended up isolated from society until they reached the center.
Patients wait for the following class at Nossa Senhora dos Anjos Rehabilitation Center in Lisbon, Portugal, July 23, 2013. The center promotes social integration to people with recent blindness and low vision. Located in Lisbon, Portugal, the center welcomes people from the Community of Portuguese Language Countries, and gives back the autonomy they need to live. The patients live together for 3 to 6 months and their days are fully scheduled with physical and recreational activities and psychological support to improve their social independence. They also re-learn basic skills like reading, walking, cooking and taking care of their own image. The majority of the patients are people who lost their sight gradually but there are also cases of medical errors and accidents that caused blindness. Many patients claim to have stopped wanting to live and ended up isolated from society until they reached the center.
Patients wait for the following class at Nossa Senhora dos Anjos Rehabilitation Center in Lisbon, Portugal, July 23, 2013.
The center promotes social integration to people with recent blindness and low vision. Located in Lisbon, Portugal, the center welcomes people from the Community of Portuguese Language Countries, and gives back the autonomy they need to live. The patients live together for 3 to 6 months and their days are fully scheduled with physical and recreational activities and psychological support to improve their social independence. They also re-learn basic skills like reading, walking, cooking and taking care of their own image. The majority of the patients are people who lost their sight gradually but there are also cases of medical errors and accidents that caused blindness. Many patients claim to have stopped wanting to live and ended up isolated from society until they reached the center.

Todas as imagens de Mário Cruz


Esta rubrica não é um guia dos notáveis da fotografia. Menos ainda, um espaço de “crítica” fotográfica (para a qual não estou qualificado nem tenho vocação). É um espaço que não aspira à neutralidade, reflectindo antes um gosto pessoal. Falarei dos fotógrafos cuja obra me toca, desafia e me faz reagir – não apenas visualmente, mas visceralmente. Precisamente por não ser um espaço de crítica, não haverá lugar para fotógrafos cujo trabalho não seja do meu agrado.

João Jarego


Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por data de publicação e nome de autor.

Jovens do Porto fazem registo e análise das imagens captadas

A câmara fotográfica foi construída, os locais escolhidos e as imagens já começam a aparecer. Os jovens do Centro Educativo de Santo António, no Porto, continuam a trabalhar diariamente na construção da sua narrativa fotográfica, num desafio lançado pelo MEF, que teve início no passado dia 20. Por esta altura, os jovens selecionam as imagens que captaram com ajuda da câmara estenopeica (técnica pinhole) e vão analisando aquilo que foi apreendido ao longo dos dias. Enquanto o fazem, vão registando todas as impressões nos cadernos que estão a construir, os chamados “diários de campo”, onde explicam pelas suas próprias palavras aquilo que experienciaram. O resultado final está cada vez mais perto. Acompanhem todos os pormenores do projeto Este Espaço Que Habito na página oficial no Facebook.

Imagem estenopeica (pinhole) realizada por um dos jovens do Centro Educativo Santo António. © EEQH 2015/MEF
Imagem estenopeica (pinhole) realizada por um dos jovens do Centro Educativo Santo António. © EEQH 2015/MEF

Projeto realizado em parceria com o Ministério da Justiça/Serviços de Justiça Juvenil e com o financiamento do PARTIS – apoio a projetos sociais destinados à integração social através das práticas artísticas, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian. Este ano o projeto conta com o apoio logístico da Portugália Restauração; Teatro Municipal do Porto/Campo Alegre; Câmara Municipal de Coimbra e Hipermercado Continente da Guarda/SONAE.

Curso de Iniciação à Fotografia

No Curso de Iniciação à Fotografia pretende-se que os alunos dominem a sua câmara fotográfica e tenham uma visão alargada sobre a fotografia enquanto forma de expressão artística. Este curso é constituído por uma parte teórica, onde são abordados os princípios básicos da fotografia e por uma parte mais prática, onde são realizados três trabalhos de campo em que se aborda a vertente da fotografia digital e da fotografia convencional (preto e branco). Mais informações…

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O MEF sugere…

3 propostas fotográficas às quintas-feiras.

Continuamos em Julho, viajamos até aos USA para uma visita a George Eastman House, paramos em África do Sul com o The Bang Bang Club e refletimos com o O Acto Fotográfico de Philippe Dubois.

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Para visitar, sugerimos:

George Eastman House – International Museum of Photography and Film. Rochester, Estados Unidos da América. Aberto ao público em 1949, é museu independente sem fins lucrativos, sendo o mais antigo no mundo da fotografia e um dos mais antigos arquivos de cinema. A sua grande colecção inclui objectos que são importantes para a fotografia, para a imagem em movimento e da vida de George Eastman.
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Para ver, sugerimos:  

The Bang Bang Club é o nome dado ao grupo formado por 4 fotojornalistas de guerra da África do Sul, do qual faz parte o repórter de guerra português João Silva. Um filme baseado em factos reais, durante reportagens realizadas durante a violência das primeiras eleições livres realizadas na África do Sul.

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Para ler, sugerimos:  

O Acto Fotográfico de Philippe Dubois. Este livro apresenta que a foto não é apenas uma imagem, é também, antes, um verdadeiro acto irónico, uma imagem, se quisermos, mas em trabalho, algo que não é possível conceber fora das suas circunstâncias, do jogo que a anima. O meio mecânico, óptico-químico, pretensamente objetivo implica ontologicamente a questão do sujeito em processo.

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Movimento de Expressão Fotográfica, 23 de Julho de 2015.

Todas as sugestões da rubrica “O MEF sugere…” estão disponíveis, após a sua publicação, em: 3 propostas fotográficas às quintas-feiras, com acesso ao arquivo por data de publicação.

São Tomé e Príncipe, uma experiência de fotografia documental

Fotografia documental sobre o quotidiano das roças de São Tomé e Príncipe
Fotografia documental sobre o quotidiano das roças de São Tomé e Príncipe. © Luís Rocha.

Em 2016 o Movimento de Expressão Fotográfica promove o Workshop de Fotografia Documental, sendo o destino as ilhas de S. Tomé e Príncipe. Esta viagem tem como desafio fotográfico o de documentar o quotidiano das roças que são parte integrante da paisagem deste país e ícone cultural e identitário do povo são-tomense [iremos visitar as roças: Plateau, Bombaim, Água Izé, S. João de Angolares, Abade, Sundy, Agostinho Neto, entre outras] onde algumas delas ainda conservam as suas explorações de café e de cacau. Mais informações e Inscrições.

UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS

Either you believe that life in all its manifold horrors is basically and essentially good, or you don’t … what I try to say in my work is that ‘I believe in life.”

Roy DeCarava, nascido em 1919. Nova Iorque seria a sua cidade: nela nasceu, viveu e faleceu (em 2009). Roy DeCarava chegou à fotografia de uma forma curiosa: sendo pintor, a aquisição de uma máquina fotográfica surgiu como um meio para registar ideias a serem desenvolvidas na tela. Poucos antes de completar 30 anos, contudo, a fotografia deixou de ser um meio para se tornar um fim: foi sobre este suporte que DeCarava passou a “falar” ao mundo.

A sua obra primeira obra editada foi o notável “The Sweet Flypaper of Life”, um trabalho que contou a participação do poeta Langston Hughes. As fotografias de DeCarava inspiraram as palavras de Hughes, através de um personagem imaginário – Sister Mary Bradley, uma avó afro-americana – que traz até nós vida e os sentimentos da época no Harlem.

Este trabalho, publicado em 1955, foi possível graças a uma bolsa da Fundação Guggenheim (a primeira atribuída pela Fundação a um fotógrafo negro). Nele, DeCarava, utiliza como cenário as ruas de Harlem – o seu bairro – e testemunha a vida da população negra num momento em que a luta pelos direitos civis tomava um novo impulso. No entanto, não é uma fotografia com um cunho marcadamente activista do ponto de vista político. Não “grita”. É, antes, a materialização da sua visão fotográfica, profundamente subtil e poética.

DeCarava tinha um maravilhoso sentido de experimentação com a luz. Trabalhava com a luz ambiente, daí resultando que muitas das suas fotografias são escuras. DeCarava procurava a “infinita gama de tonalidades” (“the infinite range of tonalities”, nas suas próprias palavras) que a fotografia torna possível. Fotografou à noite, em clubes de jazz com iluminação mínima. Porque é que as imagens não deveriam ser escuras? (Não que eu me importe com uma fotografia estar ou não “corretamente exposta”, mas o que é expor “corretamente” quando se fotografa à noite?).

Pouco depois da publicação de “The Sweet Flypaper of Life”, nasce na mente de DeCarava um outro projecto. Seria um compêndio das suas fotografias de músicos de Jazz, acompanhadas por poemas, a chamar-se “The sound I saw”. O título joga astuciosamente com o conceito de cinestesia, o fenómeno de experimentar um dos nossos sentidos através de outro, neste caso, a visão através da audição e vice-versa. Seriam precisas décadas para que DeCarava conseguisse encontrar um editor para este seu (extraordinário) trabalho. A longa espera só terminaria em 2001 quando, finalmente, foi publicado. Desta recolha de imagens efectuada nas décadas de 50 e 60, emana uma essência languida, melancólica e obscura, própria dos ritmos da música que retrata. Fotografias onde apenas se ilumina um gesto, um olhar, umas mãos deslizando sobre o teclado. Com uma extraordinária sensibilidade, utilizou a escuridão de uma forma tão efetiva e “extrema” como poucos fotógrafos o fizeram – ainda menos quando recuamos ao seu tempo. Não resisto ao paralelo com Caravaggio: pela semelhança do nome e pela mestria na utilização do “chiaroscuro” (salvaguardadas as devidas diferenças de linguagem, decorrentes de épocas – três séculos e meio separam os seus nascimentos – e contextos distintos).

Como todos os fotógrafos que têm desfilado por esta rubrica (excepção feita à Rebecca Litchefield, mas num contexto muito particular), DeCarava utilizava o meio fotográfico com total liberdade criativa. Repetirei até à exaustão que o mundo não precisa de mais uma imagem tecnicamente perfeita. Todos os dias são tiradas milhares (?) de imagens “perfeitas”. O mundo está saturado delas. Experimentem. Errem. Falhem. Mas façam-no sendo vós próprios. Pegando nas palavras do Samuel Becket: Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better.

Todas as imagens publicadas fazem parte das obras “The Sweet Flypaper of Life” e “The sound I saw”.

Vídeo: Roy DeCarava Tribute

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Todas as imagens de Roy DeCarava


Esta rubrica não é um guia dos notáveis da fotografia. Menos ainda, um espaço de “crítica” fotográfica (para a qual não estou qualificado nem tenho vocação). É um espaço que não aspira à neutralidade, reflectindo antes um gosto pessoal. Falarei dos fotógrafos cuja obra me toca, desafia e me faz reagir – não apenas visualmente, mas visceralmente. Precisamente por não ser um espaço de crítica, não haverá lugar para fotógrafos cujo trabalho não seja do meu agrado.

João Jarego


Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por data de publicação e nome de autor.


 

Este Espaço Que Habito no Porto.

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O MEF inicia hoje no Centro Educativo de Santo António, no Porto, o projeto “Integrar pela Arte – Este Espaço Que Habito”.

Um projeto em parceria com o Ministério da Justiça/Serviços de Justiça Juvenil e com o financiamento do PARTIS – apoio a projetos sociais destinados à integração social através das práticas artísticas, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Este ano contamos com o apoio cultural da Câmara Municipal do Porto/Teatro Municipal do Porto, Campo Alegre. Rivoli, e com o apoio logístico da Portugália Restauração S.A. a quem agradecemos toda a colaboração  prestada na estadia da equipa durante o projeto.

WORKSHOP DE CULTURA VÍNICA E FOTOGRAFIA DOCUMENTAL

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O Workshop de Cultura Vínica e Fotografia Documental vai decorrer, na sua 2.ª edição, em ambiente de vindimas em plena aldeia da Quinta do Anjo, na zona de Palmela. Após uma primeira sessão formativa na sexta-feira dia 11 Setembro, em Lisboa, o grupo terá oportunidade para fotografar no fim-de-semana os vários momentos e espaços da vindima, da adega à vinha, passando pela descontracção da taberna ou pela cultura local do queijo de Azeitão. Os formadores Luis Rocha e Bruno Castro farão o acompanhamento e sessões de formação específica ao longo do workshop. Sábado e Domingo, dias 12 e 13, todos os fotógrafos terão oportunidade para acompanhar o momento mais decisivo do ano do produtor Horácio Simões, conhecido tanto pelos seus moscatéis clássicos como pelos inovadores vinhos tranquilos. A Quinta do Anjo fica a cerca de 40 quilómetros de Lisboa, perto de Palmela, uma distância que tanto permite ficar alojado de sábado para domingo (aproveitando o ambiente de aldeia) como regressar a casa ao final de cada dia. Mais informações…

MEF regressa ao Porto com “Este Espaço Que Habito”

© Luís Rocha/EEQH
© Luís Rocha/EEQH

O MEF está de regresso ao Centro Educativo de Santo António, no Porto, com o projeto “Integrar pela Arte – Este Espaço Que Habito”, entre os dias 20 e 30 de Julho. Durante estes dias, os jovens do Centro vão ser desafiados a estabelecer contacto com a fotografia e, ao mesmo tempo, explorar o espaço onde se encontram através de uma nova perspetiva. Para isso, cada um vai construir a sua própria câmara fotográfica em cartolina, uma câmara estenopeica, que lhes vai permitir tirar fotografias através da técnica pinhole.

Depois de construída a câmara, é hora de traçar um plano e escolher os locais a fotografar, para dar origem a uma narrativa fotográfica. Os resultados vão poder ser vistos, mais tarde, numa exposição aberta ao público. Para já, podem acompanhar as diferentes etapas do projeto Este Espaço Que Habito, na página oficial no Facebook.

O MEF sugere…

3 propostas fotográficas às quintas-feiras.

Já a meio do mês de Julho, olhamos para fotografia documental: Steve McCurry, Sebastião Salgado e Dorothea Lange.

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Para conhecer, sugerimos:

Steve McCurry, fotógrafo americano, formado em cinema, há 30 anos que trabalha para a revista National Geographic.

Varanasi, India |
Varanasi, India |© Steve McCurry

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Para conhecer, sugerimos: 

Sebastião Salgado, fotógrafo brasileiro e formado em economia. Em 1994, criou a sua própria empresa: Amazonas Images.

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© Sebastião Salgado

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Para conhecer, sugerimos:  

Dorothea Lange foi uma influente fotógrafa documental americana mais conhecida pelo seu trabalho durante a época da Depressão Americana.

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Migrant Mother, © Dorothea Lange, 1936

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Movimento de Expressão Fotográfica, 16 de Julho de 2015.

Todas as sugestões da rubrica “O MEF sugere…” estão disponíveis, após a sua publicação, em: 3 propostas fotográficas às quintas-feiras, com acesso ao arquivo por data de publicação.

Workshop de Fotografia em Festivais de Música

INSCRIÇÕES ABERTAS

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Movimento de Expressão Fotográfica promove um novo Workshop de Fotografia em Festivais de Música. O Workshop é composto por uma componente teórica de fotografia de espectáculo uma parte prática a realizar ao longo de todo o Festival Milhões de Festa. A parte prática é composta por fotografia dos espectáculos que vão fazer parte do festival e por fotografia de reportagem do ambiente que envolve todo o festival.

Mais Informações: Milhões de Festa em Barcelos