UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS – Giacomo Brunelli

Giacomo Brunelli nasceu em Perugia (Itália), em 1977. Fotografa em filme com uma reflex de 35 mm que pertenceu ao seu pai (que foi um fotógrafo amador, tendo sido assim que a fotografia entrou na vida de Brunelli). Trata-se de uma Miranda, que descobriu na secretária do seu pai quando tinha 20 anos. Ficou impressionado com o seu peso. E com a sua beleza. Como ele reconhece, “Interessei-me primeiro pelo objecto e apenas depois pelo que com ele poderia fazer”. Licenciou-se em Comunicações Internacionais, tendo de seguida feito um curso de 6 meses de fotojornalismo em Roma. Depois disso, trilhou o seu próprio caminho.

Tem uma estética que alguns reconhecerão como próxima do “film-noir” e é deliciosamente “imperfeita” (sobre isso já tenho afirmado repetidamente o que penso, pelo que estamos “conversados”). Brunelli não rejeita essa “etiqueta”. Diz, “Embora eu acredite no poder de imagens isoladas, acho que a narrativa que se constrói a partir de uma série de imagens é essencial para que as pessoas percebam o teu ponto de vista. E sim, gosto da atmosfera «noir»”.

Alguns dos seus trabalhos enquadram-se (embora de forma muito pouco canónica) no registo de fotografia de rua. Para o efeito – e no tempo em que vivemos – é contra-intuitivo que alguém utilize uma máquina tão antiga e conhecida pelo seu obturador tremendamente “sonoro”. De facto, ao primeiro disparo, os fotografados apercebem-se de imediato da sua presença e a espontaneidade perde-se. Consegue apenas “2 a 3 disparos”.

Como afirmou em entrevista a propósito do seu projecto “Eternal London”, “Quando escolho seguir alguém – por diferentes razões: a forma como caminha, a posição do chapéu ou a cor da gabardine – não estou interessado nesses objectos fotograficamente falando. Fico completamente absorvido pelo processo e o facto de a situação ser ligeiramente perigosa faz parte da excitação”.

Brunelli tem vivido em Londres desde 2008 e a sua série “Eternal London” foi fotografada em 2012 e 2013. Iniciou a série sem uma ideia clara acerca de por onde começar. “Tinha fotografado Roma quando aí vivi, mas desde então estive a trabalhar na série Animals, e o modo de fotografar envolvido é o oposto do que é necessário à fotografia de rua”. Sabia que queria que a cidade fosse reconhecível, daí ter iniciado as suas caminhadas em zonas icónicas como o Big Ben, a Tower of London, a catedral de S. Paulo, ou zonas históricas como Mayfair e St James.

Num registo distinto, a série de “Self Portraits” de Brunelli é absolutamente notável pela originalidade do conceito e a sua desarmante simplicidade. Na verdade, se é indiscutível que o auto-retrato enquanto tema é matéria que sempre acompanhou os artistas, a utilização da sombra é quase exclusiva da expressão fotográfica. Nesta sua série, Brunelli constrói cuidadosamente as suas imagens de modo a que estas se tornem parte integrante dos elementos naturais fotografados. Deste modo (e pese embora a já referida simplicidade aparente do conceito), Brunelli alarga os limites do conceito de auto-retrato, na medida em que apaga as fronteiras entre si o ambiente com o qual ele escolheu interagir. Na verdade, a sua sombra e a paisagem passam a ser uma realidade una.

Citando o próprio: “à medida que o projecto ia avançando, queria que as minhas sombras fossem projectadas em superfícies naturais e não num ambiente urbano. Queria dar profundidade às minhas sombras com coisas como o solo, casca das árvores, pedras, plantas … e por aí fora. De uma certa forma, queria conferir à sombra uma dimensão táctil. As sombras têm que ter a sua própria personalidade”

Recentemente, na Trienal de fotografia de Hamburgo, apresentou numa instalação outdoor o seu (notável) projecto “The Flâneur”, que resultou da livre deambulação de Brunelli pelas ruas da cidade durante cerca de cinco semanas. Foi a força do seu projecto anterior “Eternal London” que levou a organização da trienal e endereçar-lhe o convite.

As fotografias apresentadas abaixo são extraídas dos projecto “Eternal London”, “Self-Portraits” e “The Flâneur”.

Eternal_London_01 Eternal_London_02 Eternal_London_03 Eternal_London_04 Flaneur_01 Flaneur_02 Flaneur_03 Flaneur_04 Self_portrait_01 Self_portrait_02 Self_portrait_03 Self_portrait_04


Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor.

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