NARRATIVA FOTOGRÁFICA COM LABORATÓRIO PRETO E BRANCO

De 26 de Janeiro a 7 de Maio de 2016, realizamos uma nova edição da ação de formação: Narrativa Fotográfica com Laboratório Preto e Branco.

Baseado em trabalho de laboratório a preto e branco e na tomada de imagens em processo película, desafiaremos os participantes à construção de um projeto autoral, a partir da análise da obra “Extraños” de Juan Manuel Castro Prieto, uma abordagem autobiográfica e pessoal. Mais informações e inscrições AQUI.

© Castro Prieto, Extraños. Cespedosa, 2002.
© Castro Prieto, Extraños. Cespedosa, 2002.

 

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UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS – Claus Stolz

Claus Stolz nasceu no ano de 1963 em Mannheim (Alemanha). Heliografia hoje. Num mundo que entroniza o imediatismo, a revisitação desta técnica primordial quase 200 anos após o seu surgimento é um (delicioso) “anacronismo”. A Heliografia é um processo fotográfico criado por Joseph Nicéphore Niépce em 1822 (a que habitualmente se dá o crédito de ter sido o inventor da fotografia). No processo original de Niépce, era utilizado asfalto como revestimento de um substrato de vidro ou metal. O betume era tão mais endurecido quanto maior a exposição solar e, ao ser lavado, apenas as áreas endurecidas permaneciam. O tempo de exposição era de oito a nove horas.

Stolz revisita a Heliografia (trabalha esta técnica há cerca de vinte anos), mas de uma forma distinta da de Niépce.

No seu trabalho são utilizados dispositivos construídos à medida e recorrem-se a lentes que chegam a alcançar um metro de diâmetro. Os tempos de exposição variam entre alguns segundos e várias horas, num processo no qual a luz solar ataca um material fotossensível. Esta interacção é levada por Stolz ao limiar da fronteira entre a criação e a destruição (e, por vezes, propositadamente, ultrapassando-a). Do rebentamento, derretimento e cristalização das camadas de filme emerge um mundo onírico povoado de estruturas coloridas e intrincadas que poderão evocar criaturas grotescas, micro-organismos ou criações dadaístas. Através da acção do calor, o suporte fotossensível transforma-se um campo de batalha no qual as feridas e cicatrizes provocadas pela luz são reminiscentes das telas perfuradas que Lucio Fontana produziu na década de 1960.

Parafraseando um comentário feito ao seu trabalho, “Last year in Göttingen, where I met Claus Stolz during an artists’ discussion, he showed pictures which he took against all rules, not with the direction of the sun, but against the sun. With a wide open shutter the light did no longer draw images of reality onto the light sensitive material but symbols. In part the brutal incidence of light attacked the sensitive negative material to the point of incineration, which in the end created icons of a magical apocalypse, if you permit the paradox. Pictures showing the acts of destruction and obliteration in blinding beauty, putting visual puzzles before our eyes that confuse the senses, no longer having a clearly definable reference to reality in their abstraction and thus challenge our imaginative abilities to the utmost”.

O resultado final depende de uma multiplicidade de factores: material fotossencível utilizado, tempo de exposição, intensidade da luz solar e condições climatéricas (passagem de nuvens). Por último – e não menos importante – o pós-processamento. As imagens são, dependendo dos casos, ampliadas e impressas em papel, exibidas directamente em “light-boxes” ou projectadas em paredes.

À primeira vista, todo o processo parece simples e primitivo. Porém as imagens de Stolz resultam de uma fina combinação de variáveis e todas elas de natureza física. Num mundo marcado pela desmaterialização por via dos suportes digitais, o trabalho de Stolz rema contra a maré e assume-se como uma refrescante afirmação de originalidade criativa.

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Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor.