O MEF na 6ª Feira do Livro de Fotografia

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Terminou a 6ª Feira do Livro de Fotografia, que aconteceu no Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico, neste fim-de-semana passado. Agradecemos à organização da feira todo o trabalho e a recepção da nossa participação.

Os livros apresentados pelo MEF nesta feira:  Este Espaço Que HabitoKtabna+5:30 e a Revista TEMA ficam disponíveis para consulta pública na biblioteca do Arquivo.

No Sábado, durante a realização da feira, foram apresentados por Cristina Cabrita e por Cristina Coutinho os projetos/livros Este Espaço Que Habito e Ktabna.

© Margarida Louro
© Margarida Louro

Para quem não esteve presente na feira, pode aceder AQUI a um excelente resumo sobre a mesma.


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O MEF esteve presente na masterclass da Barbado Gallery

Captura de ecrã 2015-12-01, às 09.55.58No passado sábado, alguns colaboradores e amigos do MEF, participaram na masterclass “The Power of Three: Project vs Pathway” de Arno Rafael Minnkinen promovida pela Barbado Gallery. Agradecemos a João Barbado o convite para esta iniciativa.

Disponível a documentação sobre a exposição deste fotógrafo na Barbado Gallery, AQUI:

 28 NOV. | 30 JAN.

“ARNO RAFAEL MINKKINEN – Facing the camera: 1970 to tomorrow”

© Cristina Cabrita
Masterclass Arno Rafael Minnkinen, © Cristina Cabrita

Um fotógrafo às terças – Abelardo Morell

Abelardo Morell nasceu em Havana, Cuba, no ano de 1948. Em adolescente emigrou com os pais para os Estados Unidos, tendo sido aí que estudou e desenvolveu o seu percurso na fotografia. Vive em Brookline, Massachusetts.

As imagens que tem captado com recurso a câmara escura são, do meu ponto de vista, particularmente interessantes. A câmara escura é, na sua essência um conceito muito simples: consiste numa caixa selada com uma pequena abertura numa das suas faces, daí resultando a projecção no seu interior de uma imagem invertida do ambiente exterior “visto” a partir da abertura. Esta abertura pode ou não ser preenchida por uma lente: na sua ausência temos o mais simples dos dispositivos fotográficos, uma câmara “pinhole”.

Historicamente, as primeiras referências que se conhecem à câmara escura datam do sec. V A.C. (na China) e é seguro que o dispositivo era do conhecimento de Aristóteles e Euclides. Continua a ser abundantemente referenciada e viria – de acordo com teses cada vez mais aceites – a desempenhar um papel fulcral da revolução que a pintura conheceu a partir do Renascimento.

De regresso a Morell. As suas primeiras experiências feitas à volta deste conceito datam de 1991, utilizando para tal a sua própria sala de estar devidamente obscurecida. Para tal, cobre todas as janelas com plástico negro de forma a conseguir uma escuridão tão perfeita quanto possível. De seguida, abre um pequeno orifício na cobertura das janelas, permitindo assim que se forme uma imagem invertida do exterior na parede que confronta a janela. As suas fotografias captam a imagem que é projectada desta forma, fundindo desta forma o ambiente exterior (frequentemente de lugares públicos icónicos), com o espaço privado do interior de uma habitação ou quarto de hotel. E é precisamente desta fusão entre o espaço denunciadamente público e o ambiente marcadamente privado que me parece provir a força e fascínio destes trabalhos. As suas imagens iniciais (captadas em filme) recorriam a tempos de exposição bastante longos (5 a 10 horas).

O que começou como uma experiência exploratória transformou-se num projecto que, desde então, o tem levado a correr o mundo na busca de um olhar novo sobre locais que já foram fotografados à exaustão. No decurso do projecto, tem vindo a introduzir alterações no processo fotográfico: utilização da cor (as imagens iniciais eram monocromáticas), posicionando uma lente na abertura de modo a que a imagem fique mais nítida, recorrendo a um prisma de modo a que a projecção não fique invertida e, por último, voltando-se para as câmaras digitais de modo a poder trabalhar com tempos de exposição mais curtos. Eu confesso que prefiro a candura que encontro nas suas imagens iniciais.

Um “twist” particularmente interessante que viria a surgir no seu trabalho com a câmara escura seria a utilização de uma tenda (“à prova de luz”) com a finalidade de projectar imagens do ambiente circundante no próprio solo sobre o qual assenta a tenda. Para tal a luz é conduzida através de um periscópio instalado no topo da tenda. A projecção das imagens sobre um solo que tem textura, vegetação, pedras, sujidade produz um efeito que, na minha opinião, é particularmente fascinante nas fotografias desta série na qual é menos óbvia a percepção de que tal resulta de um efeito puramente óptico e não de trabalho de pós-edição.

A obra de Morell não se resume aos seus ensaios em torno da câmara escura. Mas são estes os que considero mais distintivos do seu trabalho e os que mais gostava de celebrar nesta rubrica.

Todas as imagens são da autoria de Abelardo Morel e são extraídas das suas séries “Camera Obscura” e “Tent Camera”.
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Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor.