UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS – Ralph Gibson

Ralph Gibson nasceu em Los Angeles, no ano de 1939. Aprendeu fotografia enquanto frequentava a Marinha. Posteriormente viria a ser assistente de Dorthea Lange (1961-62) e, mais tarde de Robert Frank (1967-68). 1970 assinala a publicação do seu primeiro livro, “The Somnambulist”. O mundo era então muito diferente daquele no qual hoje vivemos e os livros tinham uma importância no reconhecimento do trabalho de um fotógrafo que hoje, pela abundância de meios alternativos, se diluiu. Para ter total controlo sobre o processo editorial, criou a sua própria editora, a Lustrum Press. Recomendo vivamente que assistam ao vídeo “Ralph Gibson: How to Make a Book” que capta maravilhosamente e nuns curtos quatro minutos a sua visão de editor, nomeadamente na forma como as justaposição de imagens em duas páginas criam poderosos dípticos que criam uma narrativa fotográfica que dá nova vida às imagens.

Ralph Gibson é um fotógrafo “clássico”. Bastará termos em conta que ele enumera como as sua principais referências “Vision of Paris” de Eugene Atget, “American Photographs” de Walker Evans, “O Momento decisivo” de Henri Cartier-Bresson, “The Americansde Robert Frank e “Ballet” de Alexey Brodovitch. Mantém-se fiel à Leica e ao filme “I have two M6’s and I usually take three lenses. A 35, 50, and 90. And one body has color, one body has black and white.

Mas, não emula nenhuma das suas “referências”. Com o seu olhar fotográfico meditativo, as suas imagens são maioritariamente de detalhes. De detalhes que ganham uma natureza poética. Surreal, por vezes. E de sombras profundas, num “chiaroscuro” pronunciado. “When I make a photograph, I move in closer and I take things away, and I take things away, until I get everything out of the frame except what I want. Therefore my process is considered subtractive. Now part of this subtraction has to do with casting things into deep shadow. I eliminate a lot of unwanted material, activity into the shadow area. And in so doing, create a shape. Instead of just being a variation on light, for me shadows become cut forms, they become shapes. And I discovered this by photographing primarily in bright sun and exposing for highlights, which is pretty easy to do. Most people struggle to get detail into their shadows. I was never interested in that kind of photographic expression particularly.”

Para Ralph Gibson o processo fotográfico é importante. E é esse processo que o mantém fiel ao filme, embora já tenha experimentado o processo digital. “I’m interested in the alchemy of light on film and chemistry and silver. When I’m taking a photograph I imagine the light rays passing through my lens and penetrating the emulsion of my film. And when I’m developing my film I imagine the emulsion swelling and softening and the little particles of silver tarnishing.”

E acrescenta ”I’m communicating with my materials. It’s different than previsualizing. If you talk to a sculptor about how he looks at his rock or wood, you realize that he has a special relationship to his materials. In music it’s called attack. A concert violinist once told me that if Rubinstein came in and hit concert A, it would sound different than if Horiwitz came in and hit the same note. And a good musician will recognize which one was playing based on the performer’s attack. When you look at de Kooning’s brush stroke you can see the energy of the bristles of the brush right in the stroke of the paint. This is another example of attack. So I’ve applied some of these principals to my relationship to my materials and I think of them with great respect. I think film has more intelligence than I have. I could not make a roll of film. I learned this when I was an assistant to Dorothea Lange, this incredible respect for materials, almost homage. But anyway, the big emphasis in digital photography is how many more million pixels this new model has than the competitor’s model. It’s about resolution, resolution, resolution, as though that were going to provide us with a picture that harbored more content, more emotional power.

A dicotomia analógico/digital não me interessa por aí além. Interessa-me mais a ênfase na expressão fotográfica em detrimento da sofisticação da ferramenta de trabalho. A fotografia, quando num registo de expressão artística, não trata da “perfeição”. Trata da autenticidade. Do universo interior de quem fotografa.

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Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor.


 

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