Um Fotógrafo às Terças: Diane Arbus

Diane Arbus nasceu em Nova Iorque no ano de 1923. Com o apelido de nascimento Nemerov, Diane era filha de um casal judeu proprietário de uma department store na quinta avenida, tendo crescido num ambiente abastado e que lhe permitiu não ser afectada pela grande depressão. Casou-se jovem (aos 18 anos) com Allan Arbus, de que herdou o apelido, com quem viria a ter duas filhas (uma das quais viria também a dedicar-se à fotografia) e de quem se separaria em 1959 (e divorciado uma década mais tarde).

Em 1941 visitou a galeria de Alfred Sieglitz e foi exposta ao trabalho de fotógrafos como Mathew Brady, Timothy O’Sullivan, Paul Strand, Bill Brandt e Eugène Atget. Estes viriam a efectuar trabalhos comerciais para a loja do pai de Diane. Em 1946, Diane e o seu marido (então também fotógrafo), lançaram-se no negócio da fotografia, através da sociedade “Diane & Allan Arbus”, na qual Diane assumia a direcção artística. Embora “odiassem o mundo da moda”, foi nele que a sua actividade se focou nesta fase, tendo colaborado com publicações como a Glamour, Seventeen, Vogue ou Harper’s Bazaar.

Em 1956, Diane abandona a fotografia comercial. Embora já tivesse estudado Berenice Abbott, foi o contacto com Lisette Model (fotógrafa nascida na Áustria e emigrada para os Estados Unidos) que viria a marca-la de forma determinante. Diane disse que foi com Lisset que aprendeu a ter prazer no acto de fotografar.

E aprende a focar-se no indivíduo. No que é único e surpreendente. E é nas franjas que essa unicidade se manifesta mais eloquentemente. “A photograph has to be specific. I remember a long time ago when I first began to photograph I thought, There are an awful lot of people in the world and it’s going to be terribly hard to photograph all of them, so if I photograph some kind of generalized human being, everybody’ll recognize it. It’ll be like what they used to call the common man or something. It was my teacher Lisette Model, who finally made it clear to me that the more specific you are, the more general it’ll be. You really have to face that thing. And there are certain evasions, certain nicenesses that I think you have to get out of.” E foi “específica”, desafiando os cânones da beleza ou da moralidade vigente. Fê-lo com genuíno interesse e não em nome de um “voyeurismo” superficial sobre a “bizarria”: Diane procurava sempre estabelecer uma relação pessoal com quem fotografava.

Observadora atenta, tinha por isso mesmo a noção de que nunca é verdadeiramente possível ver o mundo através dos olhos do fotografado – “it’s impossible to get out of your skin into somebody else’s. And that’s what all this is a little bit about. That somebody else’s tragedy is not the same as your own“. Na aproximação ao sujeito, utilizaza a câmara enquanto pretexto para quebrar barreiras e entrar na vida de alguém – “If I were just curious, it would be very hard to say to someone, “I want to come to your house and have you talk to me and tell me the story of your life.” I mean people are going to say, “You’re crazy.” Plus they’re going to keep mighty guarded. But the camera is a kind of license. A lot of people, they want to be paid that much attention and that’s a reasonable kind of attention to be paid.”

Acerca da supresa e da busca do que não é familiar, Diane disse: “My favorite thing is to go where I’ve never been. For me there’s spending about just going into someone else’s house. When it comes time to go, if I have to take a bus to somewhere or if I have to grade a cab uptown, it’s like I’ve got a blind date. It’s always seemed something like that to me. And sometimes I have a sinking feeling of, Oh God it’s time and I really don’t want to go. And then, once I’m on my way, something terrific takes over about the sort of queasiness of it and how there’s absolutely no method for control.”

Tudo isto teve como pano de fundo uma existência sombria. Dada a episódios depressivos (“I go up and down a lot”, escreveria em 1968), Diane viria a suicidar-se. Ingeriu barbitúricos e cortou os pulsos com uma lâmina. Viria a ser encontrada morta na banheira dois dias depois. Corria o Verão de 1971. Tinha 48 anos. Em vida não viu publicado um único livro nem realizada qualquer exposição individual.

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Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor.


 

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