UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS: Frank Machalowski

Frank Machalowski é um berlinense nascido em 1971. Aqui cresceu, estudou e viveu até muito recentemente se ter fixado em Leipzig. A sua relação com a fotografia iniciou-se em criança, graças ao seu pai, que era um fotógrafo amador que revelava as suas imagens na sua própria câmara escura. O processo fotográfico fascinava-o. Cresceu e essa relação com a fotografia foi-se dissipando. Estudou economia e trabalharia como consultor durante 14 anos. Há cerca de cinco anos estabeleceu-se como fotógrafo freelancer, dando seguimento a um envolvimento que tinha vindo a restabelecer desde a viragem do século – altura em que adquiriu uma primeira câmara digital.

Embora a aquisição da câmara digital tenha marcado o seu novo despertar para a fotografia, foi no filme que encontrou o seu elemento.

Os seus trabalhos mais emblemáticos envolvem exposições longas (caso da série Monster) ou exposições múltiplas (as séries multiexpo, ou multixepo100 – esta na qual cada imagem resulta da sobreposição de exactamente 100 imagens). Nas suas exposições longas é possível identificar a influência de Alexey Titarenko (ao qual já foi dedicada uma das rubricas de “Um fotógrafo às terças”).

Sobre a série Monster, iniciada em 2012, refere: “I grew up in Berlin, a city that never sleeps like many metropolitan cities in Europe and around the world. Here are many festivals, concerts, demos, sports events and tourist crowds. All these events attract many people. Sometimes I’m fascinated by these masses, but in some cases it is repulsive for me. Every characteristic of individuality disappears in a mass of people. So I looked to capture that feeling in a photographic project.” A escolha do título remete para uma conotação negativa e as próprias imagens, na forma como condensam o fluir das multidões, resultam, com frequência, em efeitos visuais grotescos.

As suas exposições múltiplas são, contudo, o meu registo preferido na obra de Machalowski. Surgiram em 2010 quando fotografava alguns dos locais mais icónicos de Berlim. Reparou que os turistas, perante um dado monumento, o fotografavam a partir de diferentes locais e perspectivas, de acordo com a sua preferência pessoal. O pensamento que lhe ocorreu foi o de imaginar qual seria o resultado de juntar no mesmo fotograma todas essas diferentes perspectivas. Experimentou-o e os primeiros resultados não foram particularmente interessantes. O número de exposições a o grau de sobreposição entre estas era crucial para o efeito pretendido. E encontrou na sua vetusta Adox a câmara ideal para este tipo de experimentação. Como película, rapidamente concluiu que deveria recorrer ao filme com mais baixa sensibilidade a que conseguiu ter acesso, de modo a que este suportasse um elevado número de exposições em plena luz do dia.

O resultado é absolutamente notável. Esta sobreposição de imagens, correspondentes a diferentes perspectivas mas também a diferentes momentos, produzem um efeito deliciosamente onírico no qual a câmara é aqui a antecâmara para o “sonho”. A matéria prima é a mais prosaica realidade do dia a dia. A hiper-realidade que emerge da sobreposição dessas imagens individualmente prosaicas é, contudo de uma natureza diferente. Machalowski_01 Machalowski_02 Machalowski_03 Machalowski_04 Machalowski_05 Machalowski_06 Machalowski_07 Machalowski_08 Machalowski_09 Machalowski_10 Machalowski_11 Machalowski_12


Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor.


 

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