UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS: Cristina García Rodero

Cristina García Rodero nasceu em Puertollano (província de Cidudad Real), Espanha, corria o ano de 1949. Licenciou-se em Belas Artes pela Universidade Complutense de Madrid. No curso, e embora frequentasse a licenciatura em “Artes y Oficios”, a atracção pela fotografia já estava presente. Assim, inscreveu-se numa cadeira facultativa de fotografia. Os tempos que se seguiram tiveram a sua dose de frustração, dada a dificuldade em ter acesso às ampliadoras, que se encontravam – por regra – todas tomadas quando terminava as suas aulas “normais”. E esperava pela sua vez. Muitas das vezes sem que esta surgisse antes do espaço fechar, “Hemos terminado, hemos terminado, la hora, la hora”. “Desinteressadamente”, pediu aos seus pais que, pelos Reis, oferecessem uma ampliadora à sua irmã (Cristina já a tinha contagiado com o “vírus” da fotografia). Como laboratório, as irmãs Rodero utilizavam a cozinha. Do seu professor guarda as melhores memórias “Yo nunca olvidaré a ese hombre porque era una persona maravillosa.”Sempre a corrigiu de forma construtiva e nunca esqueceu uma palavra de ânimo.

Após a licenciatura, começou por dar aulas de desenho em 1974 (na “Escuela de Artes y Oficios de Madrid”). A partir de 1983 lecciona fotografia na faculdade onde se licenciou (ocupando, curiosamente, a posição do seu professor quando este se aposentou). E permanece nessa posição durante os 24 anos seguintes, período no qual compatibilizou a carreira docente com a criação fotográfica.

Nos seus primeiros anos a fotografia foi um hobby, expressado fundamentalmente através das suas incursões por Espanha, documentando tradições religiosas e pagãs. Destas viria a resultar o livro “España Oculta”, publicado em 1989 e que viria a ser considerado o livro do ano no festival de Arles. É também um livro que capta a transformação de Espanha após o fim da ditadura “un país que salía de 40 años de oscuridad y que cambiaba muy muy rápido para bien”.

“Entre el cielo y la tierra” é um outro trabalho que Cristina tem vindo a desenvolver há mais de 20 anos. De novo o ritual e a crença “Me asombra la necesidad del ser humano de creer. Ahora estoy con Entre el cielo y la tierra, sobre las religiones, y los capítulos van creciendo, creciendo. Trabajo sobre los dos aspectos del ser humano: la espiritualidad y la carnalidad”. Diria que é um ensaio sobre a dualidade humana e todas as suas contradições. O religioso, o pagão. O Natural e o sobrenatural. A vida e a morte. O velho e o novo. A dor e o prazer.

Há na fotografia de Cristina Rodero uma sensibilidade à flor da pele e o desejo permanente captar o que está sob a superfície e com uma notável ausência de julgamento. Humanista, no melhor sentido do termo. “Voy siempre a lugares de mucha gente para acabar haciendo medios planos o retratos. Nunca planos generales, porque no me emocionan. El ser humano es lo que me interessa (…)”.

Desde 2009 que é membro de pleno direito da agência Magnum (sendo, assim, a primeira espanhola a fazer da agência).

Respondendo, há cerca de um ano a uma pergunta sobre o significado da sua entrada na agência Magnum, Cristina reflecte, entre outras coisas, sobre a condição da mulher no mundo da fotografia “No lo sé, a veces tocan estas cosas en la vida. Quizá porque he podido dedicarle mucho tiempo a mi trabajo, porque también la sociedad va avanzando y cada vez es menos machista, pero la fotografía no. La mujer va recobrando más el puesto que le corresponde, se va atreviendo con trabajos que durante siglos han pertenecido a los hombres… Pero en la fotografía han predominado los hombres sobre las mujeres. No sé por qué no hay más mujeres en Magnum. Tampoco sé por qué no hay más fotógrafos españoles en general. Quizá porque la fotografía es una profesión que te exige mucha dedicación, el estar cambiando de un país a otro, etcétera., y eso afecta enormemente a la vida privada. Muchos de los fotógrafos y reporteros están divorciados porque es muy difícil compaginar ambas vidas. Me ha encantado que me hayan aceptado, primero por ser mujer, segundo por la edad que tengo y tercero por entender mi fotografía, que es fotografía de lo cotidiano.”

Começamos 2016 com uma extraordinária senhora. Bom ano a todos … e vamo-nos “vendo” às terças.

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Procesión del Santo Cristo, Bercianos de Aliste. 1975. Procession du Christ, Bercianos de Aliste. 1975.

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Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor. Com curadoria de João Jarego.


 

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