UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS: Eddy van Wessel

Eddy van Wessel, é holandês e nasceu no ano de 1965. Começou pela fotografia comercial, mas o apelo do fotojornalismo cedo o arrastou para o fotojornalismo. Nele tem fixado imagens de um mundo que todos preferiríamos que não existisse mas que, existindo, não pode ser ignorado. Eddy faz parte da linha avançada de fotojornalistas que privam com a face mais sombria da humanidade.

Os fotógrafos de conflitos levam-nos até ao epicentro da guerra, da tragédia, do horror e provocam em nós uma reacção visceral a cenas de uma desumanidade revoltante. Os melhores e mais corajosos fotógrafos de guerra captam o sentido de urgência, movimento, caos e desespero de uma forma que nos envolve e transporta até ao vórtice de brutalidade, terror e agitação que caracteriza as sociedades dilaceradas pelo conflito.

O que leva homens e mulheres a abandonar, de livre vontade, a ordem e segurança dos locais onde tiveram a felicidade de nascer, crescer e onde deixam a sua família? A renunciarem ao conforto e a colocarem-se em risco de vida? Só uma enorme pulsão interior o pode justificar. E, na maioria das vezes, um intransigente amor à verdade e um compromisso irrevogável na luta contra a injustiça e a atrocidade impune. A câmara como arma.

Eddy van Wessel tem fotografado locais como o Iraque, Síria, Afeganistão, Tchetchénia, Bósnia, Kosovo, Gaza ou Paquistão. O seu livro “The Edge of Civilization”, editado em 2014, é uma obra de uma força absolutamente telúrica. O título não poderia ser mais adequado: é uma viagem sombria aos limites da “humanidade” (e para lá deles, pode argumentar-se …). Essa linha é sublinhada pelo contraste entre as imagens que captam o dia-a-dia possível daquelas gentes e a brutalidade esmagadora das cenas de violência.

Eddy descreve como, a dado momento, estava muito próximo de um bombista suicida quando este se fez explodir, espalhando caos, destruição e morte à sua volta, mas tendo o fotógrafo ficado praticamente ileso. O seu instinto não foi o de fugir e procurar segurança, mas o de ficar e fotografar freneticamente o sucedido.

O livro apresenta as fotografias sem ordem cronológica e faz uso de diferentes formatos – desde imagens panorâmicas a justaposições de imagens caóticas. Não são imagens fáceis. Atingem-nos. Visceralmente. Arrastam-nos para fora das zonas de conforto e confrontam-nos com a fronteira da civilização – e o que está para além desta. Fazem-nos reflectir sobre a natureza humana. Sobre a nossa (des)humanidade. Sobre a persistência do mal e a nossa incapacidade colectiva de aprendermos com os erros do passado.

Eddy van Wessel. Um dos grandes fotógrafos de guerra do nosso tempo.

 


Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor. Com curadoria de João Jarego.


 

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