UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS: Saul Leiter

“To say that he flourishes at the top in the Mount Olympus of New York photography is saying a great deal. He is right up there with the amazing heights of photographic history itself. He’s more abstract than many, he’s more constructive than several but he’s also more soulful than a great many.” – Max Kozloff (historiador de arte)

Saul Leiter, nasceu em 1923 em Pittsburgh, Pensilvania (EUA). Faleceu em 2013 a uma semana de completar 90 anos de vida. Tendo nascido numa família tradicional judaica: o seu pai era rabi e o próprio Saul estudou teologia … até à idade de 23 anos. Nessa altura abandonou a escola de teologia que frequentava em Cleveland rumou a Nova Iorque para perseguir a paixão pela arte que nele despertou durante a adolescência. Estudou pintura e, no mesmo ano em que chegou a Nova Iorque, viria a conhecer o expressionista abstrato Richard Pousette-Dart, que andava também envolvido na exploração do método fotográfico. Pouco depois iniciaria uma amizade com W. Eugene Smith. Nova Iorque era (é) um manancial de oportunidades e Saul tornou-se visita assídua de exposições de fotografia (com destaque para a exposição em 1947 no Museum of Modern Art dedicada a Henri Cartier-Bresson) reforçaram o seu interesse crescente pela fotografia.

Saul começou a fotografar pouco depois da sua chegada a Nova Iorque e sem ter recebido qualquer treino formal. Pouco importa. O que Saul fez nunca ninguém lho poderia ter ensinado. É dele um dos olhares mais extraordinariamente inspirados e originais da história da fotografia. É, também, um dos meus fotógrafos preferidos. Saul utilizou como matéria prima o dia-a-dia. A sua obra não vive de ambientes exóticos, de viagens épicas, de rostos ou expressões idiossincráticas. O seu trabalho pessoal é captado caminhando pelas ruas. Mas é diferente de qualquer outra fotografia de rua. A fotografia de Saul lida muito menos com o objecto fotografado do que com a nossa percepção. Há uma captação dos espectros transitórios da vida quotidiana que é feita numa síntese que é, simultaneamente, precisa (no momento e no enquadramento), poeticamente ressonante e visualmente estratificada. Martin Harrison escreve, “Leiter’s sensibility…placed him outside the visceral confrontations with urban anxiety associated with photographers such as Robert Frank or William Klein. Instead, for him the camera provided an alternate way of seeing, of framing events and interpreting reality. He sought out moments of quiet humanity in the Manhattan maelstrom, forging a unique urban pastoral from the most unlikely of circumstances.”

Saul viveu da fotografia. Quase toda ela publicada a preto e branco. “I started out as a fashion photographer. One cannot say that I was successful but there was enough work to keep me busy. I collaborated with Harper’s Bazaar and other magazines. I had work and I made a living. At the same time, I took my own photographs.”

O seu trabalho pessoal explorou audaciosamente a cor a partir da década de 1950. E, se é verdade que todo o trabalho de Saul é notável, é na cor que o seu génio (termo que não uso gratuitamente) se exprime em toda a sua plenitude. Comprava com frequência filme cuja validade já tinha expirado ou que tinha sido mantido em temperaturas pouco recomendáveis. Este expediente tinha uma vantagem óbvia em termos de custo, mas era, em primeiro lugar, a exploração desta “terra incognita” na qual os resultados eram dificilmente previsíveis que o moviam. Os desvios cromáticos que encontramos na fotografia de Saul são o resultado dessa experimentação. E, em cima disso, o génio das suas composições. Complexas (quase sempre). Confusas, nunca.

Sobre este seu trabalho, muito do qual apenas se tornaria conhecido na década de 1990, “I spent a great deal of my life being ignored. I was always very happy that way. Being ignored is a great privilege. That is how I think I learnt to see what others do not see and to react to situations differently. I simply looked at the world, not really prepared for anything.”

O seu trabalho permanece, mesmo nos dias de hoje, solitário na sua imensa originalidade e elegância.

Saul Leiter em conversa com Vince Aletti.


Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor. Com curadoria de João Jarego.


 

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