UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS: Gabriele Croppi

Gabriele Croppi nasceu Domodossola (numa zona montanhosa no norte de Itália, já próxima da fronteira com a Suiça) no ano de 1974. A pintura foi a sua primeira paixão, à qual se juntaria, gradualmente, a fotografia, tendo-se graduado no Istituto Italiano di Fotografia em Milão (não muito longe da sua cidade Natal). Um dos seus primeiros trabalhos com notoriedade fundia, precisamente, estas duas paixões: o seu projecto “Guernica 2000” foi uma reinterpretação fotográfica da obra de Pablo Picasso.

Trabalhou também em fotorreportagem. De forma não exaustiva, podemos destacar a publicação, em 1998, do livro “L’erba e gli elefanti” (“A erva e os elefantes”) dedicado à Guerra nos Balcãs. Seguiu-se uma incursão pela Amazónia, subindo os rios Amazonas, Negro e Solimões. Aqui captou a vida em Transformação das comunidades indígenas.

Em 2002 fixou residência em Lisboa (sim, Lisboa) por um período no qual desenvolveu um projecto, intitulado “Fughe”, e que homenageia Fernando Pessoa. Deliciosamente experimental é a série “Visioni” que parte de quatro filmes emblemáticos da história do cinema: Metropolis (de Fritz Lang), Der Himmel über Berlin (“As asas do desejo” de Wim Wenders), Stalker (de Tarkovsky) e Citizen Kane (de Orson Welles). Nesta série temos novamente a fotografia fundida com uma outra forma de expressão artística. As imagens são captadas a partir do ecrã no qual são visionados os referidos filmes.

“Metaphysics of an Urban Landscape” é a série que mais popularizou Gabriele. Acerca desta, aquando da sua apresentação, disse:

“(…) What interests me is the effect of the methaphysical in our thoughts and on our approach to life. This, in art as well as in photography, means going beyond, it means (that) the meaning and deep essence don’t stop with what we see.

I have interpreted urban scenes of some Metropolis, with their obvious architectural, sociological and cultural differences, but with the firm objective to give back to the final image that specific “methaphysical dimension”. I would like to state that the result and contents of my research will not end in the images in which my project is embodied but in the way we could all look at them, filtering them with our subjectivity, with our cultural background, with all the questions, doubts, imagination which follow.“

Esta série é composta por imagens altamente contrastadas, captadas a preto e branco de algumas metrópoles. Graças a esse contraste, Gabriele consegue isolar objectos iluminados na sua fotografia, rodeados de sombras e espaço negativo. O resultado é simultaneamente estranho e fascinante: o caos, o ruído das urbes é “filtrado”. O efeito é particularmente notável quando nos detemos nas suas fotografias captadas em Nova Iorque – o seu pulsar incessante e frenético é aqui reduzido a um silêncio contemplativo que é (quase) monástico.

Todas as imagens apresentadas fazem parte da série “Metaphysics of an Urban Landscape” e foram captadas em Nova Iorque. A este propósito convido-vos ainda a assistir ao seguinte vídeo.


Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor. Com curadoria de João Jarego.


 

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