UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS: Ernst Haas

“You become things, you become an atmosphere, and if you become it, which means you incorporate it within you, you can also give it back. You can put this feeling into a picture. A painter can do it. And a musician can do it and I think a photographer can do that too and that I would call the dreaming with open eyes.”

Ernst Haas é um nome maior da fotografia do século XX. Foi, também, um dos pioneiros na utilização da cor (e fê-lo de forma absolutamente magistral). Cartier-Bresson, Cornell Capa (irmão mais novo de Robert Capa), Elliott Erwitt ou Ansel Adams são alguns dos que expressaram publicamente a admiração pelo seu trabalho. Ansel Adams, em carta dirigida a Haas, afirmaria “I am very happy you exist. Photography is a better art because you exist. Can I say more? No!

O fotógrafo Jay Maisel disse, “It is rare that the man equals the artist: Ernst did… His work was awesome, not just to me, but to an entire generation of photographers. The depth and breadth of it will emerge for years to come. I think it will be a startling revelation because he was as prolific as he was sensitive. He had a different head. It wasn’t overly crammed with photography; it was full of music, art, philosophy, and history. In short, he was a rarity, a well-educated man without cynicism, in love with the work around him.”

Ernst tinha um dom. Disse: “I prefer to be noticed some day, first for my ideas and second for my good eye…”. Confesso-me aquém do desejo por ele expresso. Há um irresistível “toque de Midas” no olhar de Ernst. Uma elegância magnética. Uma capacidade inesgotável de transformar o prosaico em transcendente. De fixar jogos de luz e sombra, cores, texturas, linhas e movimentos. No fundo, o “acidente” visual, frágil e transitório. A fotografia de Ernst “flui”. Nunca “forçada”. Nunca “ruidosa”.

Ernst nasceu em Viena, Áustria, no ano de 1921, filho de um oficial graduado do governo austríaco (também ele chamado Ernst Haas), e de Frederike Haas-Zipser. Ambos valorizaram bastante a educação dos filhos (Ernst tinha um irmão mais velho, de seu nome Fritz) e garantiram a exposição de ambos às artes e o encorajamento da sua criatividade. Embora o pai fosse um entusiasta da fotografia, esta não captou inicialmente a atenção de Ernst. Com o falecimento do pai, em 1940, entrou pela primeira vez na câmara escura para tratar os negativos que aquele tinha deixado como legado. O interesse despontou e começou a tirar as suas próprias fotografias. Estudou cinema. Poesia. Filosofia. Foi estudar medicina, movido pela vontade de contribuir para o alívio do sofrimento que testemunhava à sua volta (estamos na segunda Grande Guerra), mas ao fim de um ano é impedido de prosseguir os estudos devido à sua ascendência judia. Pouco seguro acerca de que rumo deveria seguir, olhou para a fotografia como forma de assegurar a sua subsistência e de colocar em prática as suas concepções estéticas. Em 1946 adquire a sua primeira câmara: uma Rolleifelx adquirida no mercado negro a troco de 10 Kg de margarina (nunca 10 Kg de margarina tiveram tão bom uso). Acerca de tal, diria mais tarde “I never really wanted to be a photographer. It slowly grew out of the compromise of a boy who desired to combine two goals—explorer or painter. I wanted to travel, see and experience. What better profession could there be than the one of a photographer, almost a painter in a hurry, overwhelmed by too many constantly changing impressions? But all my inspirational influences came much more from all the arts than from photo magazines.”

Viveu em Paris por um período breve e atravessou o atlântico rumo a Nova Iorque em 1951. E rumo à cor, com a qual tinha começado a fazer as primeiras experiências. “I loved its pulse. I loved the directness of its people. I loved all races living together, or at least trying (…) There is very little that is obvious in this city, only its constant change going on day by day, forming, transforming, construction, destruction.” Esta inspiração impulsionou-o a criar novas imagens. A cores. A cor é, também aqui, uma metáfora: “I saw the war years in Europe and the few years following as the black and white ones, or even better, the gray years. The gray times were over. As at the beginning of a new spring, I wanted to celebrate in color the new times, filled with new hope.”

Experimentou sem reservas. Com os temas e com os tempos de exposição, construindo maravilhosas abstracções expressionistas. Sonhou com os olhos abertos.

Ernst Haas. Um príncipe da fotografia.


Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor. Com curadoria de João Jarego.


 

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