UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS: Thomas Kellner

Thomas Kellner nasceu em 1966 em Bona, na Alemanha. Considera-se mais um artista visual do que um fotógrafo: “I think I am more of an artist than a photographer. At the moment I am working on architecture, but it is not classic architectural photography. There are definitions in art about ‘construction/deconstruction’ or ‘collage/decollage,’ but I don’t think any of it really fits what I am doing right now, maybe my work is closer to conceptual art or conceptual photography. Many have said it is ‘very Germany,’ and that might be closer.

Confesso que a distinção não me tira o sono e a vejo como puramente semântica. A sua matéria prima é, assumidamente (e de que forma …) a fotografia (já lá voltarei). Para mim isso basta para que sobre ele escreva numa rubrica dedicada a fotógrafos.

Kellner vive da sua criação desde 1997, tendo o impulso para tal surgido do prémio de jovens fotógrafos que lhe foi atribuído pela Kodak Alemã. Antes de tal acontecer, estudou arte, sociologia e economia. Inicialmente dedicado a processos fotográficos alternativos (imagens captadas com pinhole e impressas através de cianotipia), viria a fixar-se num registo que se tornaria a sua imagem de marca: fotomontagens a partir de tiras de rolo de 35 mm que desconstroem elementos icónicos das paisagens urbanas. É neste sentido que comecei por referir que o seu processo é assumidamente fotográfico: as tiras não envolvem qualquer processo de montagem ou manipulação (as imagens surgem na exacta ordem segundo a qual foram captadas e os próprios bordos do filme são visíveis, reforçando a alusão ao método fotográfico).

Desde então (Kellner experimentou esta abordagem pela primeira vez em 1997) tem captado imagens nas mais diversas geografias (Lisboa incluída, onde, em 1999, fotografou locais como a Torre de Belém, Mosteiro dos Jerónimos ou ponte 25 de Abril).

O seu estilo fotográfico resulta na produção de imagens distorcidas ao juntar diferentes pontos de vista numa mesma composição. Para tal, capta uma sucessão de fotografias, cobrindo cada uma delas uma pequena secção da visão global. Entre imagens vai redireccionando a câmara, em movimentos horizontais, verticais e de rotação, num processo que, sendo intencional, tem, também, um elemento acidental e de imprevisibilidade do resultado final. O resultado final são imagens que trazem dinamismo a elementos estáticos. Ganham vida. Dançam. Desafiam a Física e a nossa percepção quotidiana.

A criação de Kellner assenta sobre abundantes influências: “There was a variety of experiences that influenced me in this direction. Very obviously it was the French orphistic Cubist Robert Delaunay and his paintings of the city of Paris and his paintings of the Eiffel tower up to the final pieces of the fenetres simultanee. But also experiences of perception and creating narration from the early gothic paintings up to Renaissance when the central perspective was invented. Initially searching for something comparable to Cubism, the work itself has found its own way in a balance of documenting, distorting and reconstructing an image. It was also important to me to stay in Siegen, a small town in Northrhine Westphalia. Here Bernhard Becher, founder of the Typologies and teacher of the Dusseldorf school was born and it’s here where he created the first typologies with his wife Hilla. It’s also the area where August Sander lived. And so there are the two most important examples of modern photography, who lived where I live. They did not grow their work in a Metropolis, but in the Province, outside the mainstream. I still love to live there, to have the silence that I need. The world is in front of us behind every computer screen iPad and smartphone. Airports are enough to bring me in a few hours or half days journey to the other side of our planet.”

A estas eu juntaria uma outra: o absolutamente extraordinário e multifacetado David Hockney. Kellner nunca o refere como influência, mas o seu trabalho fotográfico evoca as experiências fotográficas que Hockney começou a realizar na década de 1960.


Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor. Com curadoria de João Jarego.


 

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