UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS: Daisuke Yokota

Daisuke Yokota nasceu em Saitama, Japão, no ano de 1983. É um nome em rápida ascensão na fotografia e um dos fotógrafos mais fascinantes e audaciosos do nosso tempo.

Leiamos o que Daisuke refere numa entrevista em 2012, acerca do seu trabalho Back Yard: “(…)first I used a compact digital camera, and printed the image out. Then I photographed that image with a 6×7 film camera, using color film, even though the image is later black and white. I developed it at home, in a way so that imperfections or noise will appear—I make the water extra warm, or don’t agitate the film. Even before that, I let some light hit the film; I’m developing in my bathroom, so it’s not even a real darkroom, which helps, but I’ll hold a lighter up to the film, or whatever is around. I’m always experimenting—the goal is to not do it the same way twice. So then, to produce more and more variations in the final image, I re-photographed the image about ten times.”

Daisuke chegou a esta abordagem por influência da música. Sim, da música. Inspirou-se nos Aphex Twin (e outros agrupamentos de música electrónica) que aplicam eco, reverberação e “delay” no processamento do som. O seu pensamento foi o de criar um equivalente fotográfico da aplicação dessas técnicas numa outra disciplina (a música). E também refere o cinema. Com David Lynch à cabeça, pelas suas ambiências e pela forma como joga com a percepção. E como é que estas influências se transpõem para a fotografia? “If you look at music or film, there is time there. In other words, the work has a clear beginning and end, and in between, you shut out your daily life—you throw yourself into the work. There’s no element of duration to your experience of a photograph; it’s closer to an object. I felt that this was an extremely weak point of photography. So, I’m aware that photography can’t function in the same way as films or music, but I wonder whether it isn’t possible to create a way for photographs to carry time within them. When you’re going to sleep, you think about the stuff that happened to you that day, right? You might see some images, but they’re completely distant from what really happened—they’re hazy. You’re trying to recall something, and photography can also recall things in this way. Of course my photographs do function as some sort of record, but there’s no agreement between the photograph and my own recollection of what happened. The impression is completely different. I think using these effects of delay, reverb, and echo (in photographic terms, developing the film “badly” and so on) might be a way to alter the sensation of time in a visual way.”

Mas, encontrou Daisuke uma “fórmula”? Não. Há nele um desejo ávido de experimentação. De desafiar os limites da fotografia. O resultado é sempre plasticamente aventureiro e, tecnicamente, os meios utilizados para o atingirem não o são menos. Calor, fogo ou corrosão por ácido são apenas alguns dos recursos “alternativos” que convoca para a sua fotografia.

A sua permanente exprimentação levam-no a editar numerosos livros em edições limitadas e com recurso a materiais, também eles, pouco convencionais. Frequentemente, em festivais de fotografia, cria livros em sessões públicas – o equivalente a arte performativa transposta para a fotografia. Daisuke “estica” assim os limites da tradição japonesa de composição de livros fotográficos e performance que remonta à experimentação visceral ligada à revista “Provoke” e que foi tão marcada pelo Daido Moriyama Conceptualmente, também podemos estabelecer pontes com o movimento arstístico Mono-ha, que explorava o contraste entre materiais de origem natural e processados industrialmente.

Daisuke Yokota. Fotógrafo ou artista que se exprime por meios fotográficos? Definitivamente, ambas as coisas.

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Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor. Com curadoria de João Jarego.


 

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