UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS: Umberto Verdoliva

Umberto Verdoliva nasceu em Castellammare di Stabia (Nápoles), Itália, no ano de 1961.

Faz fotografia de rua e é muitíssimo activo. Desde 2010 que é membro do colectivo VIVO. Em 2013 fundou o colectivo Spontanea.

A sua fotografia de rua é elegantemente poética e de uma enorme mestria na forma como o tema e momentos captado são escolhidos. Compõe com uma facilidade que deixa poucas dúvidas quanto a ser um talento natural. Esta “facilidade” – que em nada desmerece a sua fotografia – também dá ao seu trabalho um apelo imediato. É um fotógrafo do qual é fácil gostar. E isso não é pecado nenhum. Não é inovador na estética, nem na técnica. Procura o belo, no seu sentido mais clássico. Logo, um daqueles fotógrafos destinado a ser mais amado pelo público que pela crítica. Não espanta que ele cite a influência de Fan Ho (um outro fotógrafo maravilhosamente talentoso no seu registo clássico … e que ficará para um outro dia).

Verdoliva sente-se incomodado pela falta de apreciação que, na sua opinião, a fotografia de rua italiana recebe. E realça a especificidade da sua história e da sua ligação ao neo-realismo. Destaca igualmente a natureza poética da fotografia italiana, que evoca o olhar clássico de um Robert Doisneau ou Henri Cartier-Bresson. Incomoda-o a fotografia de rua que assenta no burlesco, no grotesco e na falta de respeito (ou mesmo agressividade) com a qual é tratado o sujeito fotografado.

A sua fotografia tem uma outra bonomia. A distância de conforto das pessoas que surgem nas suas fotografias é sempre respeitada. Interessa-lhe o modo como estas interagem com as formas e linhas do espaço urbano. É como se a rua fosse um palco no qual continuamente vão fluindo dramas e comédias, relações, solidão, histórias simples, triviais. Ou coincidências e momentos especiais da coreografia irrepetível da vida. Verdoliva vê-se como espectador desses momentos. Mais do que espectador: intérprete. Mas um intérprete visual: a sua fotografia é marcadamente gráfica.

Quanto à semântica, para o melhor e para o pior, não é uma fotografia militante ou de denúncia. Não veicula uma mensagem social ou política. Não é uma fotografia que pretenda mudar o mundo. É apenas fotografia que pretende ser fotografia e sem inúmeras camadas simbólicas e interpretativas. Verdoliva considera que a fotografia de rua é a essência da própria fotografia. E convida quem a quer fazer a focar-se na rua e nos seus actores. E menos no equipamento. Como diz “A câmara é apenas uma caneta”.


Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor. Com curadoria de João Jarego.


 

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