UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS: Duane Michals

 

Há uma semana um amigo (estrangeiro e que reside há um ano em Lisboa), ao ver uma fotografia minha captada numa igreja, perguntou que lugar era aquele. “É a Igreja de São Domingos, na baixa …”. Contei-lhe a história atribulada da Igreja e acrescentei que era um lugar onde voltava recorrentemente para fotografar. E que foi lá que terei tirado a fotografia que considero a minha “mais especial”. “Posso vê-la”, perguntou (ele que não tem nenhum interesse em particular pela fotografia.“Claro”. E mostrei-a. Ficou a observá-la e passados uns momentos perguntou-me “o que te faz gostar tanto dela?”. A resposta saiu-me instantaneamente: “É uma fotografia que faz tantas perguntas …”. E ele percebeu …

Duane Michals disse coisas como: “If you look at a photograph, and you think, ‘My isn’t that a beautiful photograph,’ and you go on to the next one, or ‘Isn’t that nice light?’ so what? I mean what does it do to you or what’s the real value in the long run? What do you walk away from it with? I mean, I’d much rather show you a photograph that makes demands on you, that you might become involved in on your own terms or be perplexed by”.

To photograph reality is to photograph nothing.”

“I believe in the imagination. What I cannot see is infinitely more important than what I can see.”

“I think photographs should be provocative and not tell you what you already know”

“Most photographs, to me, are description, but they lack insight”

Tudo diferentes formas de dizer o que respondi. Duane Michals nasceu no ano de 1932 em McKeesport, EUA e afirmou-se como um inovador incansável. O seu contacto com a arte teve início aos 14 anos quando começou a estudar técnica de aguarela em Pittsburgh. A fotografia surgiria de forma ago acidental: foi no decurso de umas férias em que se deslocou à então União Soviética, em 1958, que descobriu o seu interesse pela fotografia. Duane defende que a aprendizagem de forma livre tem vantagens: “(…) in not learning the rules, I was free. I always say, you’re either defined by the medium or you redefine the medium in terms of your needs.

Como tantos outros, iniciou a sua carreira na fotografia comercial. Trabalhou para publicações como a “Esquire” e “Mademoiselle”. Fez a cobertura das filmagens do”The Great Gatsby” para a revista “Vogue”. Uma vez que não dispunha de estúdio, fazia retrato das pessoas no seu próprio ambiente, o que contrastava com a abordagem dominante na época.

Duane experimentou livremente. Técnicas mistas. Exposições múltiplas. E texto. Os textos tornar-se-iam uma das suas imagens de marca. Estes, porém, não cumprem uma função didática ou explanatória. Não são uma legenda, sendo antes um elemento active da sua própria criação. Sob a forma manuscrita, os seus textos acrescentam novas camadas à sua obra, conferindo-lhe um carácter reflexivo, com ressonâncias poéticas, trágicas ou humorísticas. Sobre o papel da escrita, o próprio refere: “My writing grew out of my frustration with photography. I never believed a photograph is worth a thousand words. If I took a picture of you, it would tell me nothing about your English accent; it would tell me nothing about you as a person. With somebody you know really well, it can be frustrating. Sixty per cent of my work is photography and the rest is writing.”´

Duane Michals interessa-me, antes de qualquer outra consideração, porque gosto muito do seu trabalho. Mas interessa-me ainda mais pela lucidez da sua reflexão sobre a importância do questionamento da fotografia. A importância de não ser “literal”, superficial. Óbvia. De formular mais perguntas que oferecer respostas.

The only thing we know for sure is what we experience. If you look at a photograph of somebody crying, you register grief. But in fact, you don’t know what people are experiencing at all. You’re always protecting your version of what that emotion is. What is known is only what I know. The only truth I know is my own experience. I don’t know what it means to be black. I don’t know what it means to be a woman. I don’t know what it means to be Cartier-Bresson. So I have to define my work in terms of my own truth. That’s what the journey is all about, if you are to use your own instincts. The great wonder is that we each have our own validity, our own mysteries. It’s the sharing of those gifts that makes artists artists.”

Entrevista muito interessante com Duane Michals.


Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor. Com curadoria de João Jarego.


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