UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS: Antony Cairns

Antony Cairns nasceu em 1980 na zona oriental de Londres. Começou a fotografar com quinze anos. Desde o início da sua relação com a fotografia que o processo fotográfico o fascinou. A sala escura, os químicos utilizados no processo de revelação. Esse fascínio mantém-se e é, como as suas imagens deixam adivinhar, um explorador activo da diversidade e dos limites do processo físico da criação da imagem fotográfica. O seu processo é integralmente analógico e recorre a técnicas antiquadas. É a imperfeição idiossincrática e distintiva de cada uma dessas técnicas que o atrai.

Nas suas próprias palavras: “I have never felt ready to move on from chemical-based photography. I still have lots of methods and techniques that I have yet to try out in the darkroom before I take the step into digital experimentation.”

A sua propensão pelas técnicas antigas convive com uma outra faceta: é um apaixonado pela ficção científica (em particular do trabalho de autores como William Gibson, Philip K. Dick e J.G Ballard). A “resistência” ao progresso tecnológico e o fascínio pela ficção científica são, à primeira vista, contraditórios. Porém, o que o atrai nestes autores relaciona-se muito mais com os ambientes e estética que evocam do que a tecnologia: “I often try and think of the descriptive language they use in their sci-fi novels when I am taking photographs on the streets.

Londres é o espaço privilegiado para as suas explorações fotográficas (conta também com incursões noutras metrópoles como Nova Iorque e Los Angeles).

London is a modern metropolis that wants grow and grow, which means that it is always changing.” Apesar dessa alteração contínua, “London is my city, so all the images I make speak to my own personal connection with this megalopolis.”

Mais do que a referida ligação com Londres, creio, pesa uma concepção estética que utiliza a teia urbana da cidade como matéria prima. As suas imagens fortemente solarizadas dir-se-iam resgatadas num futuro distópico de ruinas de uma metrópole destruída pela radiação.

As imagens nascem como filme de 35 mm parcialmente revelado, posteriormente solarizado e que volta a ser revelado por mais cinco minutos. Provas de contacto são feitas em folhas de alumínio. Isto simplificando um processo que pode ser mais complexo e conhecer diferentes variantes. Mas o ponto essencial é: as imagens passam por diversas fases de manipulação. O resultado deste processo, propositadamente complexo, é o do aparecimento de imperfeições sob a forma de impressões digitais, gotas ou esguichos. Isto é, cada produto final encerra em si o registo dos “acidentes de percurso” ocorridos no decurso da criação da imagem. Esta “camada” correspondente ao processo assenta, por sua vez, sobre a imagem captada em filme. E estas são-no deambulando pela cidade ao ritmo que a caracteriza (estações de metro, comboio e outros transportes públicos são, frequentemente, o palco das suas imagens). Dito de outra forma: temos duas camadas de experimentação e imprevisibilidade nas criações de Antony. Fotografia duplamente “imperfeita”. Fotografia duplamente, na minha opinião, interessante.

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