UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS: Fan Ho

Fan Ho morreu no passado dia 19 de Junho. Tinha 84 anos. Nascido em 1931 em Xangai, iniciou-se na fotografia aos 14 anos com uma Rolleiflex oferecida pelo pai. Em 1949 a família desloca-se para Hong Kong e começa a percorrer as ruas e becos da cidade na companhia da sua Rollei. As imagens que captou nas duas décadas seguintes pertencem à iconografia da cidade.

Teatrais. Meditativas. Há nas imagens de Ho um dramatismo notável que resulta da sua mestria na utilização do jogo entre luz e sombra. Uma mestria inata. Ho foi um autodidata. E, com candura, procurou “despoduramente” a beleza e a perfeição. O “despudor” é utilizado aqui de forma provocatória, uma vez que os caminhos da arte há muito se divorciaram da noção clássica do belo. A verdade é que o jovem Ho começou a fotografar assim livre de formatações ou preconceitos. E sem demasiadas camadas de intelectualidade. E essa candura e frescura são notáveis e um bálsamo para o olhar.

Sobre a sua própria fotografia: “I liked to concentrate and simplify the world in black and white, it was more suitable to my nature. I could express my emotions more freely, they were more fully under my control, [and the results were] surreal and semi-abstract. I liked this distance: not too close, not too far away…

Ho viria ainda a ter uma carreira no cinema, através da produtora Shaw Brothers. Primeiro como autor, depois como realizador (papel que assumiu em cerca de 20 filmes). Mas são as suas fotografias o principal legado que nos deixa.

Todas as imagens abaixo foram captadas por Fan Ho em Hong Kong nas décadas de 1950 e 1960.

Hong Kong Midnight, 1958Fan_Ho_02Fan_Ho_03Fan_Ho_04Fan_Ho_05Fan_Ho_06Fan_Ho_07

Courtesy of Modernbook Gallery
Courtesy of Modernbook Gallery

Fan_Ho_09Fan_Ho_10A Day is Done, 1957Fan_Ho_12Different Directions, 1958


Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor. Com curadoria de João Jarego.


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Fotógrafo Fábio Cunha no MEF

Neste passado domingo, o fotógrafo Fábio Cunha, que há dias foi premiado com o melhor dummy de livro fotográfico no DOCField (Festival de Fotografia Documental de Barcelona) esteve no MEF para uma sessão especial integrada no Curso de Fotografia Documental e Projeto Pessoal, Oficina 3 (a sessão também foi aberta aos sócios do MEF). Falou-se sobre o processo de construção de um projecto e de um livro. Agradecemos ao Fábio a partilha da sua fotografia.

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Neste dia também finalizámos o Curso de Fotografia Documental e Projeto Pessoal com a apresentação dos “ensaios” de livro fotográfico idealizados como trabalho final da oficina.

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Ensaio para livro, “What Cames After” de Isabel Correia