UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS: Fabio Bucciarelli

I see photography as a communicative tool to create awareness. To document the refugee crisis, I decided to embark on a narrative experiment, between photojournalism and fine-art photography. A lucidly dreamlike photographic story for a book that comes to light at a time when the refugee crisis is a major contemporary issue, often documented by the media in an impersonal and sensationalistic way, generating indifferent, if not hostile, public opinion toward migrants.”

Fabio Bucciarelli é italiano, nascido em Turim quando corria o ano de 1980. Antes de se dedicar à fotografia estudou engenharia, tendo completado um mestrado em Engenharia de Telecomunicações em 2006 (no Instituto Politécnico da sua cidade natal). Segue-se uma especialização em imagem digital na Universidade de Valência (Espanha) e a atribuição de uma bolsa de estudo que o levaria a uma passagem por Barcelona.

A dedicação a tempo inteiro à fotografia surge em 2009. Nesse ano torna-se membro da agência LaPresse/Ap. Em 2011 deixa a agência para se dedicar ao que é, inquestionavelmente, o seu “elemento”: a fotografia documental. Actualmente colabora, em regime de freelancer, com a agência France Press e organizações como a UNHCR (Agência das Nações Unidas para os refugiados) e ICRC (Cruz Vermelha Internacional)

Nos últimos 5 anos, Bucciarelli tem documentado os conflitos que têm devastado a África e Médio Oriente. Em particular os seus efeitos sobre a população civil: desde 2011 que trabalha num projecto a longo prazo focado nessa realidade e na maior movimentação de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial.

“The Dream” é o seu livro mais recente. É um livro que não nos transporta às embarcações sobrelotadas que atravessam (tantas vezes sem sucesso) o Mediterrâneo ou as multidões que caminham ao longo das linhas férreas. Quando Bucciarelli fez a viagem entre Gevgelija (na Macedónia, logo após a fronteira com a Grécia) e Tabanovce (junto à fronteira com a Sérvia), soube que era outra a história que queria contar. O que aí encontrou – passageiros exaustos e amontoados – não era diferente de realidades já antes por si testemunhadas. Como ele refere: “If we think about those photographs that came out in those same days from the Balkans, those are photographs that show tension, clashes, people trying to escape; tired and distraught people”. Porém, Bucciarelli, desta vez fotografou-os não como refugiados – no sentido em que estes são retratados de uma forma que não evidencia a sua condição – mas como humanos. Mulheres. Homens. Crianças. Na intimidade e candura do sono: “After documenting the breaking news of the refugees, I thought to produce a body of work that could decontextualize the refugee to make them more human, so I tried to represent the humanity of refugees in their most intimate moment: during their sleep.”

Daí o título. “The Dream” começa, portanto, com o retrato de uma jovem mulher Síria, envolta no seu lenço. O sonho literal como metáfora para o sonho que os migrantes perseguem de olhos bem abertos: “We imagine them dreaming, and clearly they are dreaming about the future, about Europe, about escaping the war, about a new hope.”

Como objecto, o livro em si, é também ele uma obra-prima. Cheio de detalhes e de simbolismo. A embalagem do livro é feita a partir de coletes salva-vidas que deram à costa nas praias gregas. E é costurada à mão pelos próprios refugiados; A capa é inspirada na amálgama de fotografias desfeitas que eram encontradas nos corpos de refugiados vitimados por naufrágios. Fotograficamente, encontramos imagem captadas por uma câmara “pinhole” produzida especificamente para este projecto e de acordo com as suas necessidades particulares.

Um grande propósito. E um grande fotógrafo …

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The Dream
Refugees and migrants reach the coast of the tiny Greek island of Lesbos on October 11, 2015 after crossing the Aegean Sea from Turkey. According to the island’s Ministry of Interior, nearly 30.000 people landed here during the first week of October alone. Most of the new arrivals are from Syria, with large contingents from Afghanistan and Iraq.
The Dream
Afghan refugees wait to be registered out of Moria camp at the Greek island of Lesvos on October 12, 2015. Thousand of refugees, mostly coming from Syria, Iraq and Afghanistan, cross everyday the Aegean sea from Turkey to reach Europe: a relatively short but extremely perilous journey. According to the UN Refugee Agency, more than 850000 arrivals by sea were registered in Greece in 2015.

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The Dream
An Italian Red Cross doctor measures – with an electronic thermometer – the temperature of a Sub-Saharan boy, during the medical check in the tent set up at the dock in the port of Messina (Italy). On July 31st 2015, 392 people were disembarked from the Italian Coast Guard ship Diciotti at the Sicilian port of Messina. Most of the people came from Sub-Saharan countries like Gambia, Senegal, Mali, Ivory Coast, Togo, Ghana, Cameroon, Nigeria, Burkina Faso, Guinea Conakry and Guinea Bissau. There were also refugees coming from Sudan, Somalia and Libya.

Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor. Com curadoria de João Jarego.


 

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