UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS: Neil Leifer

Ali - Williams (Overhead)
Aerial of Muhammad Ali victorious after his round three knockout of Cleveland Williams during the World Heavyweight Title fight at the Astrodome. Houston, Texas 11/14/1966 (Image # 1002 )

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Weightlifting: European Championships: USSR Vasily Alexeyev in action during Superheavyweight competition. World record lift. Szombathely, Hungary 6/28/1970 CREDIT: Neil Leifer SetNumber: X14937

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New York Giants vs Baltimore Colts, 1958 NFL Championship
12/28/1958 – Baltimore Colts Alan Ameche (35) in action, scoring the game winning touchdown vs the New York Giants J during sudden death overtime at Yankee Stadium. Bronx, NY. (Neil Liefer/Sports Illustrated)

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You have to be ready for luck” – Neil Leifer

Este foi um fim-de-semana grande para o desporto nacional (e não me refiro apenas ao futebol). Falemos então – e pela primeira vez nesta rubrica – de desporto.

E, no mundo da fotografia desportiva, Neil Leifer é um nome incontornável. Nasceu em Nova Iorque quando corria o ano de 1942 e cresceu num meio pobre e problemático. Chega à fotografia aos seus 13 anos: esta era uma das actividades disponíveis na zona para manter os miúdos ocupados e afasta-los de sarilhos. Como ele conta: “I grew up on the Lower East Side of Manhattan. It was a poor and a very tough neighborhood where kids either ended up going up the river to Sing Sing Prison or looking for a college that had free tuition or a scholarship. Keeping kids out of trouble was a big thing, and they had settlement houses where a boy or a girl could study dance or music; I loved to play basketball in the gym. There were different things you could do three, four, five nights a week and the more you got kids to go to these places, the more likely they were to be off the streets, and in some instances learn something that they could use later in life. Well, they had a camera club and I started taking pictures. Nobody could afford a camera or film; they donated cameras and film.”

Em troca do auxílio a espectadores em carreiras, ganhou acesso aos jogos dos New York Giants. Acompanhado da sua câmara, posicionava-se o melhor que podia. E fotografava. Vendeu as suas primeiras imagens à Sports Illustrated quando contava apenas 16 anos. E teve a primeira capa aos 19.

Os destinos de Leifer e Muhammad Ali (desaparecido no início de junho passado e nascido no mesmo ano de Leifer) cruzaram-se. As suas imagens mais icónicas de Ali estão entre as mais marcantes da história da fotografia desportiva. No desporto, como na fotografia (a fotografia de desporto acumula) o “factor sorte” tem a sua importância. Mas tem que se estar preparado para ela. Eis o que Leifer diz sobre a sorte: “Well, I’m going to preface this by saying I’ve never met a good sports photographer or photographer who didn’t have a healthy ego, so when I use the word luck, I am not being modest. Luck in sports photography is everything and what separates the really top sports photographer from the ordinary is that when he or she gets lucky, they don’t miss. That is the key. But you have to be lucky. For example, my best known picture, Muhammad Ali standing over Sonny Liston, the guy between Ali’s legs was an old established boxing photographer, great photographer Herb Scharfman. I don’t care how good he was that day; he was in the wrong seat. He was looking up at Ali’s rear end and that’s the only picture he could get. I was obviously in the right seat, but what matters is I didn’t miss.”

A verdade é que Leifer nunca deixou o seu trabalho ao acaso. Era o primeiro a chegar ao estádio e avaliava a melhor localização considerando a evolução da posição do sol. Levava um stock de baterias. As lentes estavam limpas. O equipamento era rigorosamente mantido. Isto é, quando a sorte chegava, ele não dependia da sorte para conseguir fixar o momento que a sorte lhe ofereceu.

E soube inovar e arriscar. No combate para o título de pesos pesados em 1966 Cleveland Williams e Muhammad Ali, suspendeu uma câmara no topo do Houston Astrodome de modo a poder fotografar o ringue visto de cima. A imagem do KO de Williams é universalmente famosa e é a preferida do próprio Leifer (diz-se que a única fotografia da sua autoria que tem suspensa na sua casa). Foi também, numa votação promovida pelo The Observer, eleita a melhor fotografia de desporto de sempre. No ano anterior, Leifer era um dos dois únicos fotógrafos presentes no duelo entre Ali e Sonny Liston a ter película a cores na sua câmara: e é também uma das mais marcantes imagens de sempre da história do desporto.

Além do boxe, e dos “desportos americanos”, Leifer cobriu 16 jogos olímpicos (7 de inverno e 9 de verão) e 4 Campeonatos do Mundo de Futebol.

Um dos mais prolíficos e talentosos representantes da fotografia desportiva. E tudo isso porque trabalhador, destemido e descomplexado. Como os que este domingo nos deram alegrias.


Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor. Com curadoria de João Jarego.


 

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