UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS – Alex Webb

“Photograph because you love doing it, because you absolutely have to do it, because the chief reward is going to be the process of doing it. Other rewards – recognition, financial remuneration – come to so few and are so fleeting…Take photography on as a passion, not a career.”

Alex Webb nasceu em São Francisco, EUA, no ano de 1952. O seu interesse pela fotografia nasceu enquanto estudante de liceu. Em 1972 frequentou o Workshop Apeiron de fotografia (em Millerton, Nova Iorque) onde conheceu Bruce Davidson e Charles Harbutt (fotógrafos da agência Magnum). Estuda História e Literatura na Universidade de Harvard e, paralelamente, fotografia no Carpenter Center for the Visual Arts (integrado na mesma universidade). Começa a trabalhar como fotojornalista em 1974 e apenas dois anos depois torna-se membro associado da Agência Magnum.

Webb é um dos fotógrafos de rua mais extraordinários do nosso tempo. A sua fotografia é marcada por cores fortes, jogos de luz e sombra e pela complexidade das suas imagens que se situam na fronteira entre a ordem e o caos: como se a adição de mais um elemento – qualquer ele que fosse – quebrasse a elegância e inteligibilidade da fotografia.

Este “flirt” com o caos é o elemento que me fascina mais na sua obra: “It’s not just that that and that exists. It’s that that, that, that, and that all exist in the same frame. I’m always looking for something more. You take in too much; perhaps it becomes total chaos. I’m always playing along that line: adding something more, yet keeping it sort of chaos.”

As suas imagens, além de complexas e têm uma inusitada profundidade. As imagens são compostas por elementos que se situam em diferentes camadas e que são, propositadamente, mantidas em foco. Isto está nos antípodas do isolamento do “objecto” que encontramos tão (excessivamente, diria) vulgarmente na fotografia. Curiosamente esse efeito é um resultado do olhar da câmara (lentes com grande abertura e, consequentemente, pouca profundidade de campo) e que contrasta com o que vemos com os nossos próprios olhos. A fotografia de Webb, pela familiaridade que tem com o nosso olhar (profundidade de campo e utilização de distâncias focais intermédias) convida-nos para o seu seio e é esta, na minha opinião, uma das suas grandes forças. Fácil? Diria que não: é muito mais fácil conseguirem-se imagens com impacto se se recorrer a distâncias focais extremas. E contudo, é exactamente nessa proximidade com a nossa percepção que Webb se move. “Hats off” …

Reforçando a ideia que tantas vezes aqui temos passado, Webb faz, também ele, o elogio do erro: “Luck – or perhaps serendipity – plays a big role… But you never know what is going to happen. And what is most exciting is when the utterly unexpected happens, and you manage to be there at the right place at the right time – and push the shutter at the right moment. Most of the time it doesn’t work out that way. This kind of photography is 99.9% about failure.”

E, citando-o de novo, não há melhor forma de captar a essência das ruas que caminhando: “I only know how to approach a place by walking. For what does a street photographer do but walk and watch and wait and talk, and then watch and wait some more, trying to remain confident that the unexpected, the unknown, or the secret heart of the known awaits just around the corner.”

Por último, um conselho precioso sobre a necessidade de nos reinventarmos sempre que sentimos que o nosso modelo se esgotou. Ou ainda não encontrámos a nossa “voz”. Naturalmente, tudo isto pressupõe um sentido apurado de autocrítica e a disponibilidade para recomeçar: “In 1975, I reached a kind of dead end in my photography. I had been photographing in black and white, then my chosen medium, taking pictures of the American social landscape in New England and around New York – desolate parking lots inhabited by elusive human figures, lost-looking children strapped in car seats, ad dogs slouching by the street. The photographs were a little alienated, sometimes ironic, occasionally amusing, perhaps a bit surreal, and emotionally detached. Somehow I sensed that the work wasn’t taking me anywhere new. I seemed to be exploring territory that other photographers- such as Lee Friedlander and Charles Harbutt – had already discovered.”

MEXICO. Nuevo Laredo, Tamaulipas. 1996.
MEXICO. Nuevo Laredo, Tamaulipas. 1996.

Alex_Webb_02

CUBA. Havana. 2000. Children playing in a playground.
CUBA. Havana. 2000. Children playing in a playground.
HAITI. Port-au-Prince. 1987. A memorial for victims of army violence.
HAITI. Port-au-Prince. 1987. A memorial for victims of army violence.
MEXICO. Ciudad Madero. 1983.
MEXICO. Ciudad Madero. 1983.
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1981.
HAITI. Cite Soleil. 1986.
HAITI. Cite Soleil. 1986.
MEXICO. Tijuana. 1999.
MEXICO. Tijuana. 1999.
Pinones.  1990.
Pinones. 1990.
GERMANY. Munich. 1991.
GERMANY. Munich. 1991.
TURKEY. Istanbul. 2001. View from a barbershop near Taksim Square.
TURKEY. Istanbul. 2001. View from a barbershop near Taksim Square.
HAITI. Etroits, La Gonave. 1986.
HAITI. Etroits, La Gonave. 1986.

“Um fotógrafo às terças”

O Movimento de Expressão Fotográfica desafiou João Jarego, que assumiu a curadoria, para dinamizar a rubrica: “Um fotógrafo às terças”. Até à data, são 53 fotógrafos publicados, que podem sem consultados em: http://www.mef.pt/mef/um-fotografo-as-tercas/. Interrompemos esta rubrica para um descanso, voltamos brevemente. Obrigado por nos terem acompanhado!


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