UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS – Koci

“I feel the most alive when I am photographing. Street photography forces me to focus on the present moment and just witness the passage of time. The clock stops and I experience the here and now. Looking through the viewfinder, life on the streets becomes a vibrant art form. I strive to photograph the beauty in the ordinary, the unexpected in the mundane. The candid approach I take frees me from the control I seek in the other areas in my life and I am witness to the beautiful chaos which is our world.”

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Richard Koci Hernandez nasceu na Califórnia no ano de 1969. Começou a fotografar aos 14 anos, tendo aprendido de forma autodidacta com uma câmara “emprestada” por um tio e à qual deu bom uso: “As a self-taught photographer I practiced more than most, shooting tons of film and spending countless hours in a darkroom with fixer-stained fingers. I also learned from the masters of the craft by studying their monographs in local libraries.”

Aos 19 anos apostou com um amigo que seria capaz de conseguir trabalho no jornal local. Adquiriu um “police scanner” (rádio que faz um varrimento de frequências e permite escutar as comunicações policiais) com o intuito de ser o primeiro a saber das ocorrências que envolvem a polícia. Cobriu incêndios e acidentes. Foi por esta via que, numa madrugada chuvosa, pelas 3 horas da madrugada, soube da explosão ocorrida numa refinaria próxima. Pegou na sua Nikon FM e precipitou-se para o local. Chegou ao mesmo tempo que um fotojornalista local e que viria a perceber tratar-se do director de fotografia do “Ventura Star Free Press”. Este ficou tão impressionado com o “miúdo” que lhe ofereceu trabalho como assistente de laboratório no dia seguinte. E sim, esse era o jornal que estava no centro da aposta que Richard tinha feito …

Depois de um ano passado na sala escura, conseguiu uma posição como fotojornalista do “staff” do jornal. Nos 15 anos seguintes manter-se-ia como fotojornalista, tendo a sua relação mais longa sido com o San Jose Mercury News. Com um Emmy ganho e duas nomeações para o prémio Pulitzer, não se pode dizer que tenha sido mal sucedido enquanto fotojornalista. Abandonou o jornal em 2009 (tinha 40 anos) para ir ensinar na Escola de Jornalismo da Universidade de Berkeley.

Porém, nada fez tanto pela sua popularidade como a sua conta no Instagram (actualmente com cerca de 260.000 seguidores). No final de 2014 apagou a totalidade das fotografias que tinha publicado nesta plataforma. O acto foi controverso e amplamente comentado. Na verdade, a intenção inicial de Richard era a de ir ainda mais longe e eliminar os próprios originais: “What I really wanted to do was a lot more dramatic, I wanted to delete the originals as well and move on. I was kind of standing on this photographic cliff and my wife and friends pulled me back from that cliff.” Richard defende que a fotografia deve ter um tempo de vida limitado que a internet não respeita: “Of course, who am I to impose rules on the Internet,” he adds. “I don’t want to sound too pretentious but I’ve always felt that my photographs shouldn’t live forever. But it seems to me that the Internet is increasingly allowing things to live forever.”

Richard também refere que o sucesso acaba por limitar a liberdade criativa: “When you have a large following, you begin to feel a particular sense of responsibility” refere. “You begin to feel – I’ll be honest – a pressure for what you do. Sometimes I felt that maybe I couldn’t explore other avenues of photography and share them because that wasn’t what my audience wanted.”

Se, por um lado, sente que a fotografia tem ganho terreno, com um número crescente de pessoas a levarem-na a sério, por outro sente que esta se tem desvalorizado graças à sua disponibilidade universal e permanente: “I think I began to take it for granted. When there was a Henri Cartier-Bresson show in my local gallery, it was an experience. The show was only on for a certain time and then it was gone. If I wanted to hold on to that experience, I could buy a print or a poster. But the experience itself was over. Instagram doesn’t offer that experience. I began to take the work of other photographers for granted because I felt like it was always going to be there.”

Richard tem nos seus iPhones a principal ferramenta de trabalho. O principal motivo para tal está na capacidade ímpar de passar despercebido: “Nobody pays attention to me when I’m shooting with my iPhone, Especially when I put my headphones on.” E agrada-lhe também pela possibilidade de controlar no dispositivo todo o processo de criação da imagem: “There is no question in my mind that, for me, the major strength of the iPhone is the fact it’s a ‘connected’ device. In a word, sharability. Not only is it my camera, it’s the darkroom AND the ‘printing press’ in my pocket. I can shoot and share with unprecedented ease and speed. That’s very powerful. I no longer ‘need’ the traditional media as a vehicle to distribute my work. What a great time for photographers!

Esta visão estabelece uma clivagem com as visões mais conservadoras mas se há algo de que todos podemos estar certos é que uma fatia cada vez maior das grandes imagens do nosso tempo serão captadas por dispositivos que não são câmaras dedicadas. São convenientes, acompanham-nos sempre, a qualidade da imagem é, cada vez menos, uma limitação (e mesmo quando o é, esse pode ser um elemento incorporado no processo criativo).

Citando o Ansel Adams, “I trust that the creative eye will continue to function, whatever technological innovations may develop.”

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Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor.


 

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