UM FOTÓGRAFO ÀS TERÇAS – Josef Koudelka

 

“Não tenho a pretensão de ser um intelectual ou filósofo. Limito-me a olhar.”

Josef Koudelka nasceu na República Checa corria o ano de 1938. As suas primeiras fotografias, enquanto muito jovem, foram captadas com uma pequena máquina de baquelite.

Licenciou-se em engenharia aeronáutica na Universidade Técnica de Praga (obteve o grau em 1961). Nesse mesmo ano foram também pela primeira vez expostos trabalhos fotográficos da sua autoria.

Durante alguns anos (até 1967) acumulou a prática de engenharia com a fotografia. Nesta fase trabalhou com essencialmente com publicações ligadas ao Teatro. Como nota pessoal, sempre senti que existe um carácter fortemente teatral na fotografia de Koudelka … o que não é claro para mim é se foi isso que o levou ao teatro ou se foi a exposição ao teatro que moldou o seu olhar.

Em 1968 regressou à República Checa apenas dois dias antes da invasão pelas tropas soviéticas. As suas (extraordinárias) fotografias da invasão foram publicadas sob pseudónimo (com receio de represálias sobre si e a sua família). Curiosamente, foram captadas sem o intuito de vir a ser publicadas. Koudelka fotografou como se fossem (apenas) para si. “I’d just gotten back from Romania, where for months I was photographing Gypsies, and my friend called me and said, “The Russians are here.” I picked up the camera, went out on the street, and I photographed just for myself. I’d never photographed events before. These pictures weren’t meant to be published. Finally they were published one year later, which is interesting, because they weren’t news anymore.”

Estas mesmas fotografias (ainda anónimas) receberam a medalha de ouro Robert Capa no ano seguinte. Torna-se um exilado político em 1970 e junta-se pouco depois à agência Magnum. O resto é história.

E é uma história de liberdade. Tem sido um nómada, fotografando apenas o que lhe interessa e em diferentes geografias onde se demora o tempo que for preciso. Nunca procurou o luxo ou o conforto. Há múltiplos relatos de ter dormido no chão com os ciganos quando fotografou essas comunidades. Ou de ter dependido de colegas da Magnum para ter acesso a película e a meios para a poder revelar.

Sem família, casa ou rendimento fixo, tem como luxo ser dono do seu tempo. Como referiu numa entrevista:

Laura Hubber: You’re famous for not taking assignments. How do you choose your subjects?

Koudelka: I know what I want to do and I do it. And I’ve created conditions so I can do it—I’ve been doing it for 45 years. People who do assignments are being paid and they are supposed to do something. I want to keep the freedom not to do anything, the freedom to change everything.”

Koudelka é também assumidamente uma pessoa intuitiva. Em todos os aspectos da sua vida e, naturalmente, fotografia incluída. Questionado sobre como escolhe os seus temas: “I’m an intuitive person. You know, people ask all the time why I photographed gypsies. I’ve never known. I’m not particularly interested to know.”

Empatia. Koudelka disse que nunca conheceu uma má pessoa. E elabora: “Have a look at the Russian soldiers [nas minhas fotografias da invasão de Praga]. Okay, they were invaders. But at the same time, they were guys like me. They were maybe five years younger. As much as it might sound strange, I didn’t feel any hatred toward them. I knew they didn’t want to be there. They behaved a certain way because their officers ordered them to. I become friendly with some of them. In a normal situation, I’d have invited these guys to have a drink with me.”

Ou, noutra circunstância, em Israel: “Once I was in East Jerusalem with a photographer friend who went with me. We were planning to eat sandwiches under the trees. Suddenly, soldiers ran over with guns. One of them hit and broke my camera. But when I looked in his face, he had the same fear as the Russian soldiers in ‘68. I’m sure if I’d had the opportunity to talk to this guy, he would never have done that.”

A fotografia de Koudelka é fascinante. O homem não é menos.


Os fotógrafos desta rubrica, estão disponíveis, após a sua publicação, em: Um fotógrafo às terças, com acesso ao arquivo por  nome de autor.


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