Foto de Capa, Melt de Peter Gabriel

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Foto de Capa #12: dentro do vasto e rico portfolio de capas de álbuns da Hipgnosis (já anteriormente falada a propósito de Wish You Were Here dos Pink Floyd), a de Melt (1980), o terceiro álbum a solo de Peter Gabriel, merece toda a nossa atenção e admiração. O resultado do trabalho conjunto de Gabriel com o artista gráfico Storm Thorgerson, exprimindo a visão pessoal do primeiro e as soluções criativas do segundo, a capa de Melt mostra-nos o rosto de Gabriel a preto e branco parcialmente desfigurado. A técnica utilizada, conhecida como Krimsografia, consistiu, neste caso, na manipulação da imagem através da pressão de um objecto (na circunstância um lápis) sobre o polaroid (originalmente a cores e usando o modelo SX-70) à medida que este ia sendo revelado. O processo não é totalmente controlado uma vez que o resultado da manipulação só é visível quando a revelação fica concluída. Contudo o baixo custo dos polaroids permitiu que um total de trinta imagens fossem reveladas usando esta técnica. Posteriormente a imagem escolhida foi re-fotografada a p&b. Se a imagem já é impactante por si, mais importante se torna pela sua relação com o conteúdo musical do disco. Melt é um disco marcado por canções sobre conflitos e distúrbios de identidade, quase sempre na primeira pessoa, incluindo a amnésia (I Don’t Remember), a perda de controlo emocional (No Self Control), a invasão da privacidade alheia (Intruder) e o assassinato de alguém famoso (Family Snapshot, eventualmente escrita tomando o ponto de vista de Lee Oswald ao assassinar John F. Kennedy). Mesmo canções mais abertamente políticas como Not One of Us (sobre pertença e exclusão de grupos) e Biko (sobre o activista sul-africano assassinado pela polícia do regime de apartheid) sugerem uma visão da sociedade marcada por identidades não reconhecidas ou socialmente aceites. A imagem do rosto dilacerado de Gabriel é a visualização desta série de identidades em conflito interior que o músico aborda ao longo do disco. Reflectindo a frutuosa parceria da Hipgnosis com Gabriel (que havia começado com o seu primeiro álbum, de 1977) Thorgerson e o fotógrafo Audrey Powell diriam a respeito de Melt que a capa era um “exemplo perfeito de experimentação e convicção. Uma estrela rock deliberadamente permitiu que o seu rosto fosse distorcido e representado de forma feia e grotesca para ser diferente e gozar com o estereótipo do artista a querer afirmar-se pela sua imagem”.


Foto de Capa, insere-se na nova proposta do MEF de divulgação da fotografia. Com autoria e curadoria de Pedro Nunes.

#fotodecapamef #mef #omefsugere


 

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