Foto de Capa, Endtroducing de DJ Shadow

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Foto de Capa #13: no decurso da década de 1990 o uso crescente do sampler a par de outras tecnologias digitais de criação musical fomentou o surgimento da figura do DJ/produtor enquanto autor/compositor e protagonista de discos em nome próprio. “Endtroducing”(1996) de DJ Shadow é reconhecidamente uma das obras máximas dentro dessa corrente inovadora da música popular, ao fazer uso exclusivo do sampling no processo criativo, sendo um disco que se inscreve na categoria do hip-hop mas que se destaca por ser integralmente feito da colagem de trechos musicais de outros discos. O impacto de “Endtroducing” na música de DJs/produtores que se lhe seguiram é inestimável. A capa do disco, sob orientação do próprio Shadow (Josh Davis), mas apresentando uma fotografia da autoria de um fotógrafo irlandês radicado na California com o nome artístico B+ (nome verdadeiro: Brian Cross), tornou-se ela própria icónica ao fixar um dos momentos menos visíveis mas que indubitavelmente faz parte do sampling enquanto processo criativo: o da procura de discos de vinil em segunda mão como matéria-prima para a (re)criação musical. A ausência de aura e o relativo anonimato da figura do DJ/produtor são assumidos no artwork ao fotografar-se dois membros da crew de Shadow a vasculharem discos numa loja em Sacramento (muito frequentada pelo próprio Shadow). Como diria B+ a decisão de Shadow de fotografar aquele espaço e aquele momento, foi “uma forma auto-consciente e bonita de tornar visíveis as suas práticas e a sua forma de fazer música”. Usando uma máquina panorâmica Fuji 617 com foco manual, B+ deparou-se com um problema de medição da distância para o foco do qual resultou uma imagem final em que o fundo surge focado e toda a acção intermédia está ligeiramente desfocada e arrastada. Contudo foi um daqueles casos em que o erro veio por bem e resultou na imagem escolhida para a capa. O movimento no rosto de um dos membros da crew confere acção ao momento retratado em contraste com o outro membro (afro-americano) que está estático com vários discos debaixo do braço. A presença de um gato a fitar a câmara no lado esquerdo da imagem (apenas visível na contracapa e no cartaz panorâmico lançado com a reedição do álbum) é um acaso que traz um elemento de surpresa para o leitor – o punctum da imagem. A honestidade e a espontaneidade do disparo acabam por vir ao encontro do momento que é retratado, resultando numa capa que, de uma forma não óbvia ou imediata, faz inteiramente justiça ao seu conteúdo musical.


Foto de Capa, insere-se na nova proposta do MEF de divulgação da fotografia. Com autoria e curadoria de Pedro Nunes.

#fotodecapamef #mef #omefsugere


 

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