Foto de Capa, The Joshua Tree dos U2

28510889_10157518142722588_492315959_n

Foto de Capa #15: é impossível falarmos das ligações entre a fotografia e a música pop nos últimos trinta anos sem referirmos o trabalho do fotógrafo holandês Anton Corbijn. Com um trabalho que se estende para lá da fotografia mas onde esta ganha um lugar de destaque pela marca pessoal e vasto portfolio de bandas e artistas, Corbijn tornou-se conhecido sobretudo pelo seu trabalho com bandas famosas onde destacamos os U2, os Depeche Mode e os REM, entre outras. A sua marca pessoal é a imagem a preto e branco com alto contraste e grão, onde são permitidas imperfeições como ligeiros desfoques e arrastamentos para acentuar uma certa autenticidade e, nas palavras de Corbijn, conferir intimidade e humanidade ao artista retratado. Dentro dos seus trabalhos com músicos pop destacamos a imagem de capa de The Joshua Tree (1987), o álbum que tornou os U2 numa banda de sucesso planetário. Uma imagem em grande angular da banda, captada no parque nacional de Death Valley na Califórnia, com os seus quatro membros enquadrados à esquerda e o cenário como fundo e que vem reforçar a mística da banda ao mesmo tempo que ilustra de forma convincente a música do disco. Por esta altura e muito por influência do trabalho na produção de Brian Eno, a música dos U2 torna-se mais cénica e ampla ao mesmo tempo que abraça influências americanas. As expressões sérias dos quatro U2, com Bono de perfil e os restantes de frente mas em planos diferentes, por estarem demasiado próximos, dialogam com o tom espiritual e de procura interior espelhados sobretudo nas letras do álbum. Na capa interior surge outra imagem panorâmica, igualmente icónica, da banda com a árvore que supostamente dá o nome ao disco em fundo (na realidade a árvore de Joshua verdadeira situava-se 300 km a sul da que Corbijn fotografou). Nesta imagem os quatro membros estão ligeiramente desfocados, algo que não foi premeditado por Corbijn mas que acabou por agradar ao fotógrafo. Nas suas palavras as expressões intensas mas melancólicas dos seus rostos lembravam-lhe as expressões dos imigrantes recém-chegados à América. Sobre o desfoque e o grão nas suas imagens, Corbijn, que fotografa com velocidades na ordem dos 1/30 e 1/60 segundos, diria mais tarde que tais efeitos aproximam as suas imagens da vida como ela é e que quando o objecto fotografado se torna demasiado estático, acentuado e bem iluminado se perde a sua ligação à experiência da vida.

28512453_10157518142727588_1461790108_n


Foto de Capa, insere-se na proposta do MEF de divulgação da fotografia. Com autoria e curadoria de Pedro Nunes.

#fotodecapamef #mef #omefsugere


 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s