A exposição “Ver com Outros Olhos” na Fundação Calouste Gulbenkian.

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© José Furtado | MEF

Esta exposição resultou do projecto Imagine Conceptuale, realizado pelo Movimento de Expressão Fotográfica (MEF), que teve como objectivos levar a produção artística, o contacto com a arte e a aprendizagem, sobre alguns movimentos estéticos, a um grupo de pessoas com maior dificuldade no acesso às imagens, tendo sido apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, através da iniciativa PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social.

Ver com Outros Olhos representa o culminar de três anos de intervenção no terreno, com base num conjunto de parcerias, realizadas entre o MEF e várias instituições ligadas à deficiência visual, tendo o trabalho sido desenvolvido com pessoas cegas congénitas, com cegueira adquirida e com baixa visão, pela promoção das suas formas de expressão, pessoal e artística, em particular através da fotografia.

Na Galeria Piso Inferior da Fundação Calouste Gulbenkian, encontram-se expostas imagens produzidas por 63 participantes, sendo que 94 imagens são visíveis e 69 estão em relevo com sistema de áudio-descrição. Pode-se, ainda, assistir à projecção do documentário relativo ao trabalho desenvolvido, pelo MEF com os participantes, na construção das imagens.

Organizadas por 6 grandes temas: Conceito; Medos e Sonhos; Liberdade; Beleza; Cegueira e Memória, as imagens estão acompanhadas por um texto síntese descritivo da intenção de cada autor na respectiva produção. Para além da qualidade, na forma como a exposição é apresentada ao público ao longo do espaço, assiste-se a uma íntima, e poderosa, ligação entre a intencionalidade do autor expressa no texto e as imagens apresentadas.

Com esta iniciativa, a ideia de que uma pessoa cega, ou com baixa visão, não pode fotografar cai por terra e contribui para mudar preconceitos, mitos, juízos de valor, ainda, infelizmente, tão enraizados na nossa sociedade. Como tive oportunidade de ouvir um dos participantes referir: – “fotografei o que quis e não foi o resultado de um mero disparo da máquina”.

A inauguração, com a presença dos participantes, transformou-se num momento de partilha comovente pelo significado do contributo deste projecto na mudança de mentalidades e na quebra de obstáculos à construção de uma sociedade mais justa, livre, integradora e participativa.

Simultaneamente esta exposição, pelo exemplo que representa, realça a ideia de que abrir os espaços de arte a todos, tornando-os, realmente, inclusivos, é uma necessidade urgente, cujas respostas devem ser ampliadas e consideradas parte efectiva das estratégias de intervenção. É, de facto, essencial vermos todos com outros olhos e ousar fazer diferente!

 

Não deixe de Ver com Outros Olhos até dia 12.11.18.

 

Rita Castro 23.09.18


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